Terror na Água 3D (2011)

Pobres tubarões


Há exatos 378 dias, ou se você preferir, um ano e treze dias, escrevia sobre o pior filme de 2010. Em Piranha 3D, havia relatado que sentia como se o meu cérebro estivesse sendo devorado por piranhas, me sentindo extremamente aliviado quando a sessão terminou e pude recolher os restos dos neurônios perdidos durante a projeção, entretanto, mais de um ano depois, sou obrigado a passar por mais uma dessas situações desagradáveis que nenhum ser humano ou tubarão deveria passar. Em outras palavras, a aberração chamada Terror na Água 3D.
Se James Cameron soubesse o quanto seu nome seria associado a produtos enfezados como esses, certamente teria pensado duas vezes antes de produzir Avatar e trazer à tona a moda do 3D, mas enfim, a nós, meros mortais, só nos resta sofrer com bombas que se utilizam da terceira dimensão para ganhar seu dinheiro. É assim que chego a triste conclusão que ajudei David R. Ellis e todos os envolvidos a ganharem alguns dólares.

Se eu fosse maldoso, diria que o grande erro de Terror na Água 3D é o simples fato de existir, como não sou, posso relatar que o grande pecado do longa é o fato de o mero imbecil que lhes escreve no momento, tê-lo assistido, e pior, pago por esta sessão. Tentarei rapidamente descrever a trama vomitada pela dupla Will Hayes e Jesse Studenberg, que felizmente jamais tive o desgosto de presenciar algum outro trabalho. Vamos lá, espera, antes de tudo preciso avisar aos roteiristas que se eles dizem que uma pessoa precisa de um médico urgente, caso contrário duas horas depois ela já estará morta, é bom raciocinar minimamente para não colocar quase dez horas depois o mesmo maldito personagem perambulando com uma lança nas mãos – que provavelmente foi o mesmo que fez, apesar de ter perdido um dos braços – e pior, matando um tubarão de mais de uma tonelada com essa mesma lança. Tão tocante é poder observar a sagacidade da dupla ao injetar a família Hewitt no longa, que cansada do oportunismo exacerbado do garoto prodígio Leatherface, decidiu adquirir meia dúzia de tubarões no Mercado Livre e com um jet-ski, despejá-los em um lago com ondas (sim, com ondas) amedrontadoras.

Estou perdendo o foco, no terceiro parágrafo e ainda nem mesmo comecei a trama do filme. Na história acompanhamos um grupo de jovens que… Ah espera, jovens de novo? Porque não um grupo de idosos que cansados da monotonia do asilo decidem desfrutar de uma bela paisagem, mas acabam sendo atacados por tubarões? Ou porque não skinheads que cansados da agitada vida de espancamento urbano decidem aprender a surfar e acabam atacados por ferozes cartilaginosos? Fato é que dependendo da especificidade destes dois grupos apontados, ambos não poderiam ter relações sexuais entre eles, no entanto os jovens… O quê? Não tem sexo em Terror na Água 3D? Nem peitos flutuantes?  Mas isso não importa, estaria eu sendo preconceituoso ao exigir de um longa como este entregar cenas de nudez e mortes sangrentas, afinal este filme é produzido pela maioral Disney, que certamente acrescenta um brilho estimável em sua filmografia.

E lá vamos nós, agora sim poderei relatar a trama do longa… Waaaalt! Hein? Alguém aí conseguiu ver o Vincent do seriado Lost no filme? Ator talentoso, de postura exemplar, importantíssimo no decorrer da história. Se não me engano é da raça Labrador, tendo em vários momentos atuação muito superior a Sara Paxton, Dustin Milligan, Chris Carmack, Katharine McPhee, Chris Zylka, Alyssa Diaz, Joel David Moore e Joshua Leonard.
Escolhas acertadas do diretor David R. Ellis, que depois de obras-primas como Premonição 4, Celular – Um Grito de Socorro e principalmente o magnífico Serpentes a Bordo, emplaca outro grandioso trabalho ao retratar com clareza suas ideias em transformar ataques de tubarões em reality shows de deixar Pedro Bial, Britto Junior e companhia tremendo nas bases.

Entre erros e pequenos erros, sendo este pequeno erro, o fato da produção não ter nem mesmo 80 minutos, Terror na Água 3D chega aos cinemas para marcar seu nome no Hall de pior filme da face da Terra, ficando aqui o aviso que se os tubarões continuarem sendo tão desrespeitados por cineastas mundo afora, principalmente o cidadão denominado David R. Ellis, entrarão na justiça caçando – pegou essa? – o direito de ir, vir e vomitar do cineasta em questão. Já eu, por sinal, deverei ser processado pelo feto de David R. Ellis.

Ah, a trama é a seguinte…

ZERO

Nota: 0,0

por Filipe Ferraz

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