2012, Cinema, Críticas

O Legado Bourne (2012)

Quando as filmagens deste O Legado Bourne se iniciaram parecia quase um consenso geral que sua existência estava fadada ao insucesso. Não porque o arco Bourne estivesse completamente fechado, mas sim porque seus dois pilares, Matt Damon e Paul Greengrass, estariam fora das filmagens.
A grande pergunta que ficava era: O que será explorado? Seria esta uma continuação? Um prólogo? Quando foi revelado que Jeremy Renner viveria um outro ‘programa’ (como são chamados) paralelamente a Bourne – o que chega a ser mencionado na trilogia – ao menos me senti levemente aliviado. Mais ainda quando a direção fora confirmada a Tony Gilroy, roteirista dos três primeiros filmes. As chances de dar certo ao menos havia se igualado com as de dar errado. Uma mera ilusão na verdade.

Porque O Legado Bourne além de ruim como filme de ação, é quase ofensivo como capítulo de uma das melhores séries de ação da última década. É muitas vezes imperceptível, mas Bourne teve – e tem – um papel fundamental dentro do gênero de ação, influenciando, inclusive, possivelmente o maior ícone do gênero: James Bond.
Ok, mas vamos deixar de lado Identidade, Supremacia e Ultimato. Veremos o que torna O Legado uma produção absolutamente dispensável.

É de se ter muito cuidado quando uma obra busca repaginar e mudar a perspectiva de outras passadas. Algo semelhante aconteceu, por exemplo, com o péssimo O Exterminador do Futuro 3, que não só era lastimável individualmente, como também interferia nos conceitos de seu sublime antecessor. E aqui podemos equiparar com O Legado, que ao estar habituado paralelamente com acontecimentos do primeiro filme, trás explicações completamente absurdas sobre o universo Bourne, sempre nos remetendo a figura de Matt Damon, maximizando ainda um conceito de ‘super-soldado’ completamente imbecil e inverossímil a trilogia.
Um dos problemas então, sem dúvida, se reserva ao terrível roteiro de Gilroy (uma surpresa, já que este estava envolvido nos capítulos anteriores), que não bastasse inserir tais conceitos inconcebíveis ao personagem, ainda é narrativamente uma bagunça sem precedentes. Percebam a extrema confusão que Gilroy transforma as conversas entre o personagem vivido por Edward Norton e seus companheiros. Jamais soando claro e concebível o porquê das atitudes do agente? (o que ele é, na verdade?), Eric Byer soa apenas como um impulsor da história, e a breve explicação sobre suas atitudes soam artificiais e simplórias para um encerramento de um programa tão importante quanto aquele que já havíamos conhecido anteriormente. Da mesma forma, quando determinado fato importantíssimo acontece envolvendo o personagem de Zeljko Ivanek, simplesmente não nos é dissecado o que levou o Dr. Donald a realizar tal atitude, assim como a importância que se é dada a Dr. Marta Shearing (Rachel Weisz) surge abrupta e sem sentido, a não ser como único motivo, contracenar com Renner e formar seu par romântico. E apesar de o considerar um bom ator, Jeremy Renner parece perdido e extremamente pálido na pele Aaron Cross, sendo este aprofundado como uma parede, Renner, na verdade, tampouco é explorado em sequências de ação, o que teoricamente também justificaria sua escolha.

Aliás, não bastasse sua narrativa completamente confusa e repleta de problemas, O Legado Bourne não sobrevive nem menos como uma fita de ação, já que Gilroy demonstra uma incapacidade visível em elaborar planos de ação, somando-se ainda que com quase duas horas de filme, teremos o primeiro contato com sequências de ação apenas em sua metade final. E se tal enrolação fosse embasada ao menos em uma precisa construção de personagem, pelo menos haveria sentido – teoricamente falando – para um ritmo tão irregular.
Resumidamente, O Legado Bourne é uma produção esquecível, não acrescentando nada de interessante ao conceito de seus antecessores, mas ainda mais terrível por interferir na lógica das obras anteriores. E isso é imperdoável. E se apesar de tudo, pelo menos fosse razoavelmente eficaz como um capítulo isolado de ação… Mesmo assim. Afinal, estaria eu sendo muito otimista.

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