2012, Cinema, Críticas

A Origem dos Guardiões (2012)

Logo em seus primeiros minutos A Origem dos Guardiões já nos insere em um mundo fantasioso repleto de magia, como poderia se imaginar de uma obra que busca pegar figuras míticas como Papai Noel, Coelho da Páscoa e Fada dos Dentes e transformá-los em heróis de ação, ou como os próprios gostam de frisar, protetores da Terra. É dessa forma que a DreamWorks parece ter encontrado o substituto direto – em termos de longevidade de uma futura franquia – para Shrek, já que A Origem dos Guardiões abre diversas lacunas para um futuro preenchimento de mais capítulos. Afinal, agora não bastasse sua barba digna de um brutamonte, o Papai Noel também é todo tatuado; O Coelho da Páscoa mede 1,85m e é ‘treinado em diversas artes marciais’ e todos parecem dispostos a colocar o estúdio novamente sob os holofotes da criançada.

Assim sendo, o longa segue uma narrativa bem direta e que dispensa cerimônias, apresentando rapidamente Jack Frost, que possui o poder de ‘conduzir’ o frio, e posteriormente já viajando para a apresentação do Papai Noel e seus companheiros. É interessante notar que o roteiro de David Lindsay-Abaire – baseado na obra literária de William Joyce – se mantém ciente do primoroso cuidado necessário para se criar um protagonista que não empalidecesse frente as ‘lendas’ que iria contracenar. Em função disso, Frost é rapidamente mostrado como uma figura solitária e digna de pena, o que já leva o espectador a um rápido envolvimento, assim como a sua personalidade de ‘garoto brincalhão’ serve como força essencial de sua conquista por parte do público. Aliás, toda construção de Frost, que repito, não poderia nem ameaçar ser desinteressante, é de fato cuidadosamente trabalhada. Notem como sua vestimenta é completamente adversa do restante dos personagens, e como ela, na verdade, é a mais próxima ao que estamos acostumados usualmente (um moletom e uma calça), somado a isso, o fato do personagem permanecer durante todo o projeto descalço, além obviamente de uma função lógica (afinal ele não sente frio) serve para que o público, em sua maioria criança, diante da seu espírito ‘a vontade’ acabe por acolher Frost e poder se imaginar na pele do agora novo Guardião.

Complementando o processo de criação eficientíssimo do personagem, o design de produção de A Origem dos Guardiões, a propósito, é um espetáculo a parte. Percebam a perfeição com que a equipe cria cenários repletos de detalhes minuciosos, como o castelo (?) habitado por Papai Noel e sua trupe, assim como aqueles comandados por Coelho da Páscoa e Fada dos Dentes. O diretor Peter Ramsey ainda abusa do jogo de cores capazes de criar planos-sequencias maravilhosos, como aquele que explora o ótimo personagem Sandman, que com seus sonhos representados por areias douradas, percorre a noite da pacata cidade onde a história se passa de maneira belíssima e contagiante. É nesse contraste que a escuridão representada pelas areias negras de Pitch (ou Bicho Papão), também soam eficientes ao contrapor com essa mesma moeda de tonalidade utilizada anteriormente.

Mais do que um mero espetáculo visual, A Origem dos Guardiões ainda faz seu papel na abordagem infantil de moralidade sempre presente em animações da DreamWorks (quer dizer, em quase todas). Aqui, situações como esperança, isolamento, sonhos e diversão são os carros chefes de sua parte dramática. Nada mais justo então que todas essas simbologias sejam tratadas com cuidado para não soarem deveras artificiais. Para isso, Ramsey acerta ao inseri-las com uma clara função na narrativa. Peguemos-nos como exemplo a esperança. Conforme as crianças passam a perder a esperança, ou simplesmente deixam de acreditar na existência dos Guardiões, os mesmo perdem suas forças, como também o fato de Frost lutar para que as crianças o enxerguem – e isso só acontecerá caso elas realmente acreditem em sua existência –  fazem uma interessante ligação entre esses atributos, capaz de conciliar o aspecto dramático em um mesmo sentido que o movimento da trama.

Construindo um universo que por diversos fatores imerge o telespectador, deslumbrado com os minuciosos detalhes de sua construção e também, pelo choque visual de cores, A Origem dos Guardiões transforma uma paleta extensa de personagens em figuras competentes e que certamente renderão mais capítulos ao estúdio. Potencialmente uma franquia de sucesso, Papai Noel tatuado e sua trupe tem tudo para dar certo. E já começaram com o pé direito.

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