Lemmy (2010)

Lemmy

Direção: Greg Olliver, Wes Orshoski
Roteiro:
Gênero: Biografia/Documentário/Música
Origem: Estados Unidos
Duração: 116 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Dave Brock, Phil Campbell, Fast Eddie Clarke, Jarvis Cocker, Alice Cooper, Mikkey Dee, C.C. Deville, Dave Ellefson, Jason Everman, Lars Frederiksen, Kirk Hammett, James Hetfield, Peter Hook, Scott Ian, Ice-T, Paul Inder, Mick Jones, Pepper Keenan, Ian Fraser Kilmister, Paul Michael Lévesque, Duff McKagan, Dave Navarro, Jason Newsted, Ozzy Osbourne, Corey Parks, Marky Ramone, Captain Sensible, Nikki Sixx, Slash, Dee Snider, Matt Sorum, Shel Talmy, Robert Trujillo, Nik Turner, Lars Ulrich, Steve Vai, David Vanian, Katherine von Drachenberg, Dave Grohl

Sinopse: Documentário da vida e carreira de uma das maiores lendas do Rock e Heavy Metal mundial, Lemmy Kilmister.

Não me lembro exatamente qual foi a primeira vez que escutei alguma música do Motörhead (essa trema (¨) em cima do “o” sempre me irritou, diga-se de passagem), provavelmente tenha sido apresentado por meu primo Luiz Paulo, ou talvez vagando pelos escombros da internet em meados dos anos 2000-e-qualquer coisa. Quando escutei pela primeira vez achei uma coisa absolutamente estranha. Que porra é essa? Porque o cara está com essa voz tão rouca? Porque os caras estão tocando um punk tão diferente?

Com o passar do tempo e o amadurecimento musical, fui aos poucos escutando cada vez mais diferentes estilos do Rock e o Motörhead era aquele que sempre estava presente em referências a uma caralhada de bandas e estilos que surgiram posteriormente na estrada do Rock. O primeiro trabalho, ‘Motörhead’ de 1977, um álbum muito bom, mas bem diferente da imagem que possuímos hoje da banda. Mas foi pouco tempo depois que fundamentalmente o Motörhead cravou seu nome na história do Rock com a trinca de ouro em um intervalo de dois anos: Overkill, Bomber e Ace of Spades. Aqueles três álbuns mudariam para sempre a história do Rock’n’Roll.

Para quem acompanha outras vertentes do Rock, sabe que sem o Motörhead e Black Sabbath (Judas Priest em menor escala) o Trash, Black e Death Metal jamais existiriam (entre outras diversas influencias a diversos outros estilos) e o próprio Ozzy Osbourne diz não saber exatamente se o próprio Heavy Metal se iniciou com o Sabbath ou Motörhead.

E foi neste dia 28 de Dezembro de 2015 que o Motörhead acabou encerrou suas atividades. Porque grandes bandas jamais acabam ou deixam de existir. Mas o Motörhead encerra suas atividades da melhor forma possível que Lemmy poderia querer: Lançando um álbum novo e realizando turnês por todo o mundo. Na ativa! Compondo músicas novas e boas. E Lemmy, que já vinha enfrentando problemas de saúde graves (recentemente teve que cancelar um show em São Paulo, no Monsters of Rock) possivelmente morreria feliz em duas hipóteses: Morrer no palco ou jogando vídeo game. A segunda ganhou.

“A morte é inevitável, não é? Você fica cada vez mais propenso à ela quando atinge a minha idade. Não me preocupo com isso. Estou pronto para morrer. Quando eu for, quero ir fazendo o que eu faço melhor. Se eu morrer amanhã, não posso reclamar. Minha vida foi boa.”

Diagnosticado com um câncer terminal no cérebro dois dias antes do fatídico 28 de Dezembro de 2015, Lemmy faleceu enquanto jogava videogame ao lado de sua família.

O que nos traz a essa homenagem do blog a um dos maiores ícones da música, relatada no excelente documentário de 2010, Lemmy, de Greg Olliver e Wes Orshoski. Acompanhando o dia a dia absolutamente simples do vocalista, a dupla de diretores busca estabelecer fundamentalmente a incrível e rotineira vida de Lemmy, assim como sua direta influência em diversos ícones do Rock, como Lars Ulrich, Kirk Hammett e James Hetfield (Metallica); Dee Snider (Twisted Sister); Dave Navarro (Jane’s Addiction); Nikki Sixx (Mötley Crüe); Duff McKagan, Slash e Matt Sorum (Guns N’ Roses); Joan Jett; Mike Inez (Alice in Chains); Dave Grohl (Foo Fighters e Nirvana); Alice Cooper; Scott Ian (Anthrax), Steve Vai dentre muitos outros. Olliver e Orshoski captam toda influência direta que Lemmy teve na vida destes músicos que acabaram originando grandes bandas que fomentaram ainda mais o caminho do Metal e outros estilos, assim como o famoso Big Four (of Thrash), composto por Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, fruto direto do icônico vocalista, que poliu e fincou o estilo definitivamente.

Dessa forma, é inteligente por parte do documentário percorrer um caminho diferente do esperado, ao invés de contar a história de Lemmy, sua infância, a criação do Motörhead, grandes sucessos e crises, o documentário busca aprofundar e humanizar a Lenda. O pequeno apartamento de Lemmy é um amontoado de recordações, presentes de fãs, discos de platina, ouro, bonecos, chapéus e tudo que fazia importância para o vocalista. E quando perguntado porque não se mudar para um lugar maior, ele deixa claro: “Me sinto bem aqui. E é mais barato”.

Sendo assim, ver Lemmy jogando o vídeo game Rainbow no canto de um bar enquanto bebe coca cola com uísque é icônico para a figura do baixista e vocalista do Motörhead.

Porque Lemmy, mais do que líder de uma das maiores bandas do Rock, era uma Figura do Rock. Sua personalidade, a barba, o chapéu, as botas, o jeito de se vestir, tudo compunha a figura de um ícone, de uma lenda. Então mais do que o grande líder de comprovadamente uma das maiores e mais influentes bandas do Rock, Lemmy era um autêntico emblema do Rock’n’Roll. Seu estilo de cantar, o peso na sonoridade de seus shows e álbuns, as composições nas letras de suas canções, as rimas, o visual, a atitude e por fim a simplicidade de como levar a vida conturbada de um rockstar.

E Lemmy consegue capturar a essência da figura título: Como um inglês de bota, uma barba estranha e chapéu conseguiu com sua atitude e simplicidade escancarar a porta para um estilo de música que surgia junto com cada acorde composto pelo Motörhead. E se hoje conseguimos entender o Rock’n’Roll como o mais vasto, amplo e diversificado dos gêneros musicais, muito se deve a figura de Lemmy que nos deixou nesse final de 2015.

Alongar e encontrar mais palavras para descrever a importância de Lemmy e o Motörhead na Música é impossível, dessa forma só resta reconhecer seus intensos 70 anos de vida, ascendendo um cigarro, brindando com um Jack Daniels com Coca Cola, estufando o peito e continuar ecoando suas músicas por toda eternidade: O Rock ‘N Roll vai salvar sua alma, dê-me em voz alta e livre, deixe-me ouvi-lo até o fim do tempo, provocar arrepios de cima para baixo em sua coluna, é a única maneira de voar que conhecemos! Born to Lose! Live to Win Lemmy! Missão cumprida!

 

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