2015, Cinema, Críticas

Sicario: Terra de Ninguém (2015)

Sicario

Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Taylor Sheridan
Gênero: Ação/Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 121 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Emily Blunt, Benicio del Toro, Josh Brolin, Victor Garber, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan, Raoul Trujillo, Julio Cedillo, Hank Rogerson, Bernardo P. Saracino, Maximiliano Hernández, Kevin Wiggins, Edgar Arreola, Kim Larrichio, Jesus Nevarez-Castillo, Dylan Kenin, Sarah Minnich, Matthew Page, Lora Martinez-Cunningham, Kaelee Vigil

Sinopse: Na crescente fronteira sem lei entre os Estados Unidos e o México, uma agente do FBI é exposta ao mundo brutal do tráfico internacional de drogas por membros de uma força-tarefa do governo que a escalam em seu plano para derrotar o chefe de um cartel mexicano.


Denis Villeneuve. É bom anotar esse nome. Depois de alguns projetos menores (entre eles curtas e documentários), Villeneuve ganhou notoriedade em 2010 quando seu filme Incêndios foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E de lá pra cá a filmografia do diretor apresenta-se absolutamente promissora e com grandes filmes: O excelente thriller Os Suspeitos; o drama metafórico de O Homem Duplicado, ambos de 2013; E agora com este Sicario: Terra de Ninguém, desde já a grande obra-prima do diretor e muito provavelmente o melhor filme de 2015.

Escrito por Taylor Sheridan (aos fãs de Sons of Anarchy, o delegado David Hale) Sicario acompanha Kate Macer (Emily Blunt) que lidera uma unidade antissequestro do FBI em Phoenix. Após um atentado que causa baixas em sua equipe, Kate é recrutada por uma equipe especial da CIA, liderada por Matt Graver (Josh Brolin) e acompanhada pelo misterioso Alejandro (Benicio Del Toro), em uma missão para o Departamento de Defesa dos EUA. O objetivo: Decapitar um cartel de drogas mexicano, capturando os principais membros e jogadores do cartel.

Empregado com uma estética robusta pela intensa fotografia do genial Roger Deakins, Sicario, logo em seus instantes iniciais, preocupa-se em apresentar Kate como uma agente segura, convicta e fria a respeito de suas responsabilidades e decisões inerentes a sua profissão. É importante que Villeneuve frise essa segurança da protagonista dentro de um ambiente perigoso, é verdade, mas que teoricamente segue o padrão do esperado e dentro da normalidade para ela. E a insegurança e até mesmo passividade crescente de Kate, conforme esta vai se envolvendo cada vez mais na missão comandada por Matt e Alejandro, é fundamental para um desenvolvimento eloquente da personagem. Vivida com grande sensibilidade por Emily Blunt, Kate mostra-se completamente perdida sobre sua real função naquele cenário hostil, mas ao mesmo tempo se vê presa a tentar entender o porque está sendo usada (e a solução do roteiro é brilhante), assim como se buscasse ver com seus próprios olhos se aquele “mundo de lobos” é real.

Assim, toda a sequência da fronteira – uma das mais brilhantes e tensas dos últimos anos – é construída para segmentar pontos importantes da estrutura de Sicario: A natureza hostil daquele ambiente (onde você pode levar um tiro a qualquer momento de qualquer pessoa que passe pelas ruas); A insegurança quase passiva de Kate; E a personalidade perturbadora de Alejandro. Desse forma essa sequência não apenas é visualmente irretocável como também tematicamente fundamental para desenvolver os elementos que fazem Sicario uma obra-prima. E percebam como a cada passo executado pela missão da CIA vamos cada vez mais nos aprofundando na insegurança de Kate, a hostilidade do Cartel e a natureza de Alejandro. E é brilhante que Villeneuve consiga, com apenas uma sequência, aprofundar de maneira brilhante elementos tão essências para sua obra.

O roteiro de Sheridan calcula todas suas pontas e arcos narrativos e faz questão de fechá-los com maturidade e sem estardalhaços. E a direção de Villeuneuve é sublime em todo seu ato final, desde o túnel até o grandioso e espetacular desfecho de Alejandro, em irretocável atuação de Benicio Del Toro. Vivendo um agente da CIA aparentemente alheio a todas as táticas e “baboseiras” de seus “superiores”, Del Toro encarna Alejandro com extrema segurança e frieza, dessa forma é brilhante que o ator busque a todo momento estabelecer seu tom de voz sempre constante, sem se alterar ou exagerar em determinadas situações – assim quando o mesmo diz para certo personagem “Jamais aponte uma arma de novo para mim” é incapaz não notar como Alejandro sempre possui total controle do que faz e pretende fazer.

Sustentado por elementos muito bem aprofundados e desenvolvidos, Sicario: Terra de Ninguém é uma obra-prima irretocável. Tematicamente pesado e filmado com extremo talento, Sicario faz com que Villeneuve já possa ser encarado como um dos diretores mais promissores dessa geração, estabelecendo mais uma vez uma jornada e discussões a quais os limites em que o ser humano pode chegar, e que muitas vezes você é um reflexo do ambiente ao qual está inserido e da natureza que esse insere sobre cada um. E se você não é um lobo, talvez esse não seja o melhor lugar a se ficar.

★ ★ ★ ★ ★

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