2016, Críticas

A Garota no Trem (2016)

girl-train-posterThe Girl on the Train

Direção: Tate Taylor
Roteiro: Erin Cressida Wilson (roteiro), Paula Hawkins (romance)
Gênero: Suspense
Origem: Estados Unidos
Duração: 112 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Justin Theroux, Luke Evans, Allison Janney, Edgar Ramírez, Lisa Kudrow, Darren Goldstein, Laura Prepon, Marko Caka, Lana Young, Frank Anello, Alexander Jameson

Sinopse: Rachel está desolada por seu divórcio recente. Ela passa seu tempo indo para o trabalho fantasiando sobre o casal aparentemente perfeito que vive em uma casa onde seu trem passa todos os dias, até que em uma manhã ela vê algo chocante acontecer lá.


CRÍTICA

Quem julga uma sala de cinema apenas como um local escuro, com uma tela enorme para se assistir a um filme, certamente está tendo uma experiência equivocada. O cinema, espaço físico, é subitamente algo que transcende o simples verbo “assistir” para um patamar onde este se confunde com o “sentir”. E para este que vos escreve o cinema sempre significou uma terapia, um Templo de Pensamento, que viaja por mundos distintos, vidas adversas, personagens complexos e situações fora de nosso alcance.
Portanto toda ida ao cinema é um degrau em vivência e uma bagagem emocional, não só daquilo que vivemos junto com os personagens, como também de nossa própria experiência: A companhia que estamos, pequenos gestos, situações ímpares e a completa imersão naquele local que parece atingir outra dimensão de realidade.

E este A Garota no Trem, por tangenciar um tema tão complexo como a depressão e dependência do álcool (onde ambas se confundem como causa ou consequência), me faz tatear sobre a anedota acima com enorme tranquilidade e, mesmo que o longa não necessariamente se aprofunde no tema, faz um trabalho importante em ao menos dialogar sobre o assunto, aqui representado pelas depressivas personagens de Rachel (Emily Blunt) e Megan (Haley Bennett).

Adaptação da obra literária de mesmo nome, A Garota no Trem acompanha Rachel, uma alcoólatra desempregada e deprimida, que sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.

O diretor Tate Taylor – do pavoroso Histórias Cruzadas – consegue surpreendentemente conduzir o longa com extrema segurança, mantendo um notório e eficiente ritmo, impedindo, portanto, que o espectador perca o interesse e envolvimento com o filme. Nesse ponto, Taylor se apoia em dois elementos fundamentais: Montagem e Roteiro.
Utilizando uma linha temporal e narrativa fragmentadas, os montadores Andrew Buckland e Michael McCusker empregam um trabalho capaz de aplicar duas propostas acertadas: Manter o ritmo e consequentemente desenvolver o clima de suspense. Dessa forma, ao se conciliar com o eficiente roteiro de Erin Cressida Wilson (do ótimo Homens, Mulheres e Filhos), que evita exageros e aprofunda os personagens centrais na dose correta, A Garota no Trem tem como principal trunfo manter a tensão em caixa alta e sempre elevada durante quase suas duas horas de projeção. Assim a comunhão entre os elementos supracitados é essencial para que o espectador elabore suas próprias teorias, monte o quebra-cabeça da narrativa, estimulado por um clima de tensão latente, e por fim, tente desvendar o mistério por trás da natureza conturbada de Rachel, vivida de maneira irretocável pela mais uma vez extraordinária Emily Blunt.

Como todo grande suspense, A Garota no Trem estabelece um clima de tensão capaz de seguramente captar a atenção do espectador, se permitindo ainda dialogar sobre a natureza depressiva da personagem de Emily Blunt, com nuances que servem conjuntamente para fortalecer a personagem e sua trajetória, além de consolidar por fim nosso envolvimento com seu destino.
Belo exemplar do gênero, o longa trabalha com vitalidade temas delicados e reflexivos, que fazem jus a experiência de entrar no Templo de Pensamento e assistir sentir a um filme, contabilizando para o autor do texto mais uma saborosa e bem acompanhada sessão de terapia.

★ ★ ★ ★

1 thought on “A Garota no Trem (2016)”

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