2016, Críticas

Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)

fantastic_beasts_and_where_to_find_them_ver4_xxlgFantastic Beasts and Where to Find Them

Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Gênero: Aventura / Fantasia
Origem: Estados Unidos / Reino Unido
Duração: 140 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Ezra Miller, Samantha Morton, Jon Voight, Carmen Ejogo, Colin Farrell, Ron Perlman, Josh Cowdery, Ronan Raftery, Faith Wood-Blagrove, Jenn Murray

Sinopse: As aventuras do escritor Newt Scamander em uma comunidade secreta de bruxos e bruxas de Nova Iorque. Scamander cataloga 75 espécies de criaturas mágicas no livro didático que se torna um sucesso e que, 70 anos mais tarde, será utilizado por Harry Potter e seus amigos na escola de magia de Hogwarts.


CRÍTICA

Lembro-me em 2011, ano do último filme da saga Potteriana, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, ter deixado claro logo de antemão que a saga do bruxo não era das minhas obras prediletas, pelo o contrário, na minha opinião, oito filmes eram muita coisa para o pouco que a história evoluía (e volto a afirmar que não li nenhum dos livros e minha análise se resume única e exclusivamente aos filmes, como aliás, deve ser).
Foi com certa relutância, portanto, que encarei que o universo Harry Potter estaria de volta aos cinemas, dessa vez na adaptação de Animais Fantásticos e Onde Habitam, obra literária de mesmo nome da própria criadora J.K. Rowling.

É com imensa surpresa que Animais Fantásticos e Onde Habitam funciona incrivelmente bem como um novo começo de saga, desprendendo-se da perigosa sombra que os filmes de Harry Potter poderiam influenciar em sua estrutura e/ou trama. Trazendo o diretor David Yates novamente ao comando (dirigiu os quatro últimos capítulos da saga) em parceria com a criadora J. K. Rowling, que escreve seu primeiro roteiro, na trama acompanhamos o excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chegando à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Mesmo que dentro do mesmo universo, o grande mérito de Animais Fantásticos e Onde Habitam é ter uma identidade própria, com novos personagens, novos dilemas e personalidades, além de uma trama muito interessante. Ainda assim, David Yates é inteligente ao inserir pequenos detalhes nostálgicos a saga de Potter e acertadamente sem se escorar nelas para ganhar “pontos” com fãs – elas funcionam e estão inseridas dentro do contexto do filme.
Mas o longa funciona com suas próprias pernas, apresentando um mundo até então desconhecido, ampliando, portanto, o alcance desse fantasioso universo. Para isso, o roteiro da própria Rowling acertadamente constrói seus personagens com extremo cuidado, dando a eles uma dimensionalidade necessária para uma correta apresentação. Aliado ao leque interessante dos personagens (entretanto o único ponto falho do longa é a natureza e motivação do vilão, que jamais ficam realmente claras), a trama é envolvente e bem conduzida, com uma dose acertada de humor, sem que se perca a seriedade das situações, tendo uma narrativa que flui, e deixa diversas pontes para futuras continuações, já que abre as portas para um mundo ainda mais fantástico e de exploração incalculável.

E a construção desse novo mundo deve-se muito ao caráter visual do longa, que recria e cria com imenso cuidado e detalhe os ambientes do longa (e não se assustem com sua presença no Oscar). O Design de Produção, além de recriar com imenso cuidado a Nova York da década de 20, pode explorar o caráter criativo de seus realizadores, como na fantasiosa “visita a maleta” do protagonista, assim como no design dos “animais” do longa, inventivos e com um grau de “realismo” perceptível.
Percebam ainda o importante papel da fotografia, que quando abordada em Nova York ou na comunidade de bruxos, sempre utiliza uma paleta dessaturada, com cores frias, sintonizando um caráter inóspito aos personagens, o que se contrapõe aos momentos em que estes se sentem confortáveis (na maleta e na casa de Tina) onde a fotografia utiliza cores quentes, representando o acolhimento e proteção daqueles locais.

Preciso ao não ficar preso a saga Harry Potter, mas sem deixar a magia de lado, Animais Fantásticos e Onde Habitam é um eficiente início de uma nova saga, e o simples fato de ser considerada “nova” já é um incrível mérito para o longa.
Caminhando por conta própria e entendendo os elementos necessários, a produção certamente agradará fãs e não fãs Potterianos, funcionando como um filme independente ao mesmo tempo que nostálgico. Leve, engraçado e fantasioso, J.K. Rowling abre nos cinemas uma nova porta para um universo ainda desconhecido, porém com uma magia já bem conhecida.

★ ★ ★ ★

2 comentários em “Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)”

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