2016, Críticas

Sully – O Herói do Rio Hudson (2016)

sullySully

Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Todd Komarnicki (roteiro), Chesley Sullenberger (livro), Jeffrey Zaslow (livro)
Gênero: Biografia / Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 96 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Anna Gunn, Autumn Reeser, Holt McCallany, Mike O’Malley, Jamey Sheridan, Jerry Ferrara, Molly Hagan, Max Adler, Sam Huntington, Wayne Bastrup, Valerie Mahaffey

Sinopse: Em 2009 o mundo entrou em estado de choque e admiração por causa de um fato inesperado e impossível: no dia 15 de janeiro daquele ano, o Capitão Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks) conseguiu pousar um avião em pane no Rio Hudson. Esse ato quase impossível salvou a vida dos 150 passageiros e alçou Sully à categoria de herói nacional. No entanto, nem mesmo a aclamação pública foi capaz de impedir uma investigação rigorosa sobre sua reputação e carreira.


CRÍTICA

Ao nos depararmos com situações extremas, que fogem de nosso controle ou percepção a respeito de suas consequências, estamos lidando com o imponderável, com o destino posto em jogo em poucos segundos. Essa percepção trata-se sumariamente de um olhar sensível  e constante na carreira do diretor Clint Eastwood, agora retransmitida em Sully – Herói do Rio Hudson.

Em janeiro de 2009, o Capitão “Sully” Sullenberger (Tom Hanks) se preparava para mais um dia rotineiro: Arrumar suas coisas, comprar seu lanche e pilotar mais um dos inúmeros voos em seu currículo. Mas o voo comercial, doméstico americano, US Airways 1549, que iria de Nova York para Charlotte, Carolina do Norte, reservava o imponderável ao Capitão Sully. Minutos após decolar do aeroporto La Guardia, o avião atingiu um grupo de pássaros, perdendo assim a potência de ambos os motores. Foi então que Sully se deparou com a situação extrema que mudou sua vida – e poucos segundos foram suficientes para mudar o destino de milhares de pessoas: Os passageiros, a família de cada um deles e até mesmo as pessoas nas imediações de um possível desastre aéreo. E mesmo que existam manuais e orientações, em momentos derradeiros a racionalidade muitas vezes se confunde com a sensibilidade e intuição. Foi assim que o Capitão Sully, confrontando todos prognósticos, pousou o avião em pleno Rio Hudson, adjacente a Manhattan.

Roteirizado por Todd Komarnicki (A Estranha Perfeita), adaptação da obra literária de mesmo nome, escrita pelo próprio Chesley B. “Sully” Sullenberger em parceria com Jeffrey Zaslow, Sully – Herói do Rio Hudson busca destacar pontos técnicos importantes ao mesmo tempo em que explora dramaticamente seu protagonista.
Assim Eastwood consegue balancear com sua usual habilidade todos os elementos que julga necessário, compondo uma obra que seja mais do que uma mera encenação melodramática dos fatos, o que a esmagadora maioria dos diretores optaria.

Percebam como Clint Eastwood deposita um tempo considerável com termos e resoluções técnicas, que vão desde meras discussões até a simulação que concluiria o desfecho do caso. Portanto, apostando numa montagem fluída, Eastwood divide a estrutura de Sully da seguinte forma: O acontecimento em si; As investigações sobre o pouso forçado; O desenvolvimento do personagem de Tom Hanks.
Dando o peso dramático adequado, Clint consegue abduzir o espectador para uma poltrona do US Airways 1549 ao filmar com extrema agilidade, passeando sua câmera pelo interior da aeronave, enfatizando o clima tenso vivido por tripulação e passageiros, desde os primeiros sinais de pane até o resgate bem sucedido.

Da mesma forma, o diretor aposta em flashbacks que se confundem com sonhos e delírios de Sully, como se fossem uma área de escape ao estresse psicológico vivido pelo Capitão. Igualmente importante e servindo de base, Sully ainda é vivido de maneira devotada por Tom Hanks, que encarna o protagonista com energia, salientando com extrema vivacidade o incrível controle técnico da situação – inclusive nas explicações que o levaram a tomar a atitude de pousar no Rio Hudson – que se contrapõe radicalmente com o temor de que toda sua carreira vá por água abaixo devido ao rumo que as investigações começam a tomar.

Sully ainda conta com uma particularidade essencial e enriquecedora: Ver e rever seus momentos primordiais. Notem como o longa constantemente faz questão de atribuir inúmeros pontos de vistas, não tendo vergonha de revisitá-los quando vital. Sendo assim, nos deparamos com as gravações de áudio e as transcrições das comunicações internas e do controle de tráfego aéreo, relacionados com o acidente ao mesmo tempo em que também presenciamos “ao vivo” todas essas conversas, o que dá um peso dramático ainda maior a situação.

Sabendo desenvolver com extremo cuidado os pontos essenciais de sua obra, Clint Eatswood entrega mais uma produção acima da média, abordando um acontecimento ainda recente de maneira inteligente, ao entender sobre a necessidade do peso dramático de seu protagonista, mas sem perder a essência de seu filme e porque não do Cinema de Eastwood: Visitar e revisitar o Homem se deparando com o imponderável.

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