Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

Moonlight

Direção: Barry Jenkins
Roteiro: Barry Jenkins (roteiro), Tarell Alvin McCraney (argumento)
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 110 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Trevante Rhodes, André Holland, Naomie Harris, Mahershala Ali, Janelle Monae, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Alex Hibbert, Jaden Piner, Patrick Decile, Edson Jean, Shariff Earp, Duan Sanderson, Rudi Goblen, Herveline Moncion, Fransley Hyppolite, Larry Anderson, Tanisha Cidel, Stephon Bron, Don Seward

Sinopse: Black (Trevante Rhodes) trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

Premiações: Vencedor de 3 Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Adaptado. Indicado a mais 5 Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Naomi Harris), Melhor Diretor (Barry Jenkins), Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora.


CRÍTICA

Chiron, Little e Black representam três etapas da vida de um garoto/jovem/homem recatado, introspectivo, de uma história sofrida e que servem de figura de estudo para Moonlight: Sob a Luz do Luar, em salientar uma dura realidade social, ao mesmo tempo em que analisa, construtivamente, o aspecto emocional e psicológico da persona de seu protagonista. Dessa forma, Moonlight usa das facetas de seu personagem um meio de dissecação de Homem e Sociedade, passeando basicamente por todas emoções e conflitos que moldam a engrenagem de nossa existência.
Moonlight busca costurar uma narrativa que, apoiando-se portanto nas experiências de seu protagonista, e tendo como base sua insegurança emocional, levanta uma cuidadosa e primorosa exploração de personagem, o transformando não apenas em uma interessante figura, como também num manifesto social importante.

Escrito por Barry Jenkins, numa história de Tarell Alvin McCraney, Moonlight acompanha três períodos de tempo da vida de Chiron. Quando criança, vive com sua mãe Paula num bairro em Miami envolto pela criminalidade. Chiron é uma criança tímida e muitas vezes negligenciado por sua mãe (viciada em drogas). Graças a essas questões, ele se vê intimidado por todos. O garoto acaba recebendo um pouco de orientação de um traficante do bairro chamado Juan, que passa a notar a escassa vida social e emocional do jovem, tentando ajudá-lo nessa luta diária por sobrevivência.

O novato diretor Barry Jenkins utiliza uma estrutura interessante ao dividir sua narrativa em três capítulos, cada um deles narrando os acontecimentos da vida de Chiron, ao mesmo tempo que emerge uma filosofia visual e temática da representatividade de cada uma dessas etapas – e não me aprofundarei para evitar spoilers.
Percebam como Jenkins alterna a abordagem de seu longa conforme o protagonista vai evoluindo, calculando com extremo cuidado cada um dos planos que elabora, fazendo rimas visuais e sonoras irretocáveis – como o som das ondas do mar – que vão se interligando com o aspecto dramático de Moonlight. Notem como Jenkins e seu diretor de fotografia banham seus personagens entre luzes e cores que dialogam filosoficamente com o estado emocional e da própria evolução da personalidade de Chiron.

Mas grande parte do poder de Moonlight se deve as grandiosas atuações de seu elenco. Alex R. Hibbert e Ashton Sanders, protagonizando as etapas “Little” e “Chiron”, respectivamente, entregam duas magníficas atuações, que se revelam poderosas nos mínimos detalhes, como o olhar de uma presa prestes a ser abocanhada, retraída pela opressão do meio em que vive. E Trevante Rhodes, agora Chiron em sua vida adulta, ou melhor, Black, tem uma tarefa difícil ao tentar balancear a personalidade agora mais impositiva de Chiron, mas sem deixar de lado os resquícios daquele jovem acanhado do começo. O vencedor do Oscar Mahershala Ali humaniza o criminoso Juan com extremo cuidado e sutileza, dando ao personagem uma notória autoridade dentro daquele meio, sem se esquecer de atribuir um caráter humano, destacado pela sua preocupação com a criação de Chiron – e ao notar que ele, Juan, sustenta por vias tortas a infelicidade de Chiron, é um doloroso punhal em seu peito, bem reproduzido por Ali. E Naomie Harris, entrega a Paula, mãe do garoto, uma performance forte e autodestrutiva, muito bem representada pela atriz.

Contando sobretudo uma história de autodescoberta – num filme que faria uma sessão dupla maravilhosa com Boyhood: Da Infância a JuventudeMoonlight dilacera emocionalmente seu protagonista, o fazendo sofrer por uma força interior que ele não sabe julgar ao certo sobre sua real natureza, fazendo com que ela seja a todo o momento combatida e pisoteada externa e internamente, quando na verdade a única força capaz de conduzi-lo é a segurança de olhar para o espelho e se reconhecer por fora como a única pessoa capaz de combater o medo que tanto lhe freou durante toda a vida: de fracassar, de se frustrar, de desistir, de ser rejeitado, de ouvir críticas, de se importar excessivamente com a opinião dos outros…
E quando Chiron questiona sua insegurança e preenche as lacunas de sua jornada de entendimento interior, a luz do luar enfim clareia seu caminho em uma profunda, sutil e longa estrada de autoconhecimento.

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