2017, Críticas

A Bela e a Fera (2017)

Beauty and the Beast

Direção: Bill Condon
Roteiro: Evan Spiliotopoulos (roteiro), Stephen Chbosky (roteiro), Gabrielle-Suzanne Barbot (romance)
Gênero: Fantasia/ Musical
Origem: Estados Unidos
Duração: 129 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw, Ian McKellen, Emma Thompson, Daisy Duczmal, Rudi Goodman, Jolyon Coy, Nathan Mack, Adrian Schiller, Hattie Morahan, Sonoya Mizuno, Gerard Horan, Zoe Rainey

Sinopse: Adaptação do conto-de-fadas no qual um príncipe amaldiçoado com a forma de monstro apaixona-se por uma bela jovem dama.


CRÍTICA

A Disney possui uma habilidade louvável de encontrar nas mais variadas oportunidades a capacidade de ganhar dinheiro. Agora sua nova onda é adaptar seus clássicos de animação para longas em live-action, e depois do bem sucedido e espetacular Mogli – O Menino Lobo, e do estrondoso sucesso de bilheteria de A Bela e a Fera, num futuro não muito distante, já planeja adaptações de produções como O Rei Leão, Mulan, Dumbo, Aladdin entre outras.
O grande questionamento que se levanta a respeito dessas novas aventuras da Disney é se essas releituras são – e serão – apenas atividades caça-níquéis, ou filmes que possam de certa forma acrescentar algo de novo, tendo a obrigação de funcionar independentemente da obra a que se baseia, ao mesmo tempo, é claro, que seja totalmente saudável amplificar o Universo da Disney. Pois bem, e como se sai A Bela e a Fera?

Baseado na animação de 1991, e roteirizado por Evan Spiliotopoulos e Stephen Chbosky, A Bela e a Fera acompanha uma moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) que tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Mesmo que contando com uma estrutura bem similar com a da animação de 91, A Bela e a Fera é um filme que sabe muito bem o que entregar e deposita na energia sensorial, oriunda do equilíbrio visual e sonoro, sua grande arma para ser mais do que um mero filme caça-níquel.
Dessa forma o diretor Bill Condon, tendo como base boa parte das canções da animação da década de 90, utiliza uma abordagem visual mágica, mergulhando seu filme em um jogo de cores formidáveis, que se compactam com o grandioso design de produção e os inspiráveis figurinos.

O longa preocupa-se ainda em desenvolver os personagens Bela e Fera como figuras palpáveis, fugindo da unidimensionalidade, dando a ambos dilemas dramáticos eficientes, que quando retirados de uma fábula são de fácil assimilação e possível identificação. Porque mesmo que mergulhado na magia Disney, A Bela e a Fera é um filme sobre aceitação.
Percebam, portanto, como os dois protagonistas lutam pela aceitação da sociedade – e consequentemente de si próprios: A Fera (numa atuação de expressividade impecável de Dan Stevens) mais voltada, evidentemente, para sua condição física; e a Bela (com o carisma de Emma Watson) de sua personalidade (que ela mesmo diz ser “estranha” perante aos olhos daquela sociedade). Assim o filme transfigura-se numa fábula com caminhos poderosos, estendendo-se numa história de amor, que de maneira sutil dialoga a respeito de exclusão social, podendo-se alongar a inúmeros setores (e chega a ser irônico, para não dizer trágico, que um personagem homossexual tenha causado enorme rebuliço dentro da parcela cancerígena conservadora da sociedade).

Portanto respondendo ao questionamento levantado no início do texto, A Bela e a Fera não é apenas uma obra caça-níquel. É um filme que revisita o mundo mágico da Disney, acrescentando pequenas nuances importantes a fábula, considerando-se capaz de mais uma vez abordar um tema que confronta-se com o caráter julgador da sociedade.
Extasiado, A Bela e a Fera intercala seus enredos musicais com sentimentos, nostalgia, a inesgotável magia Disney e uma importante e atemporal reflexão.

★ ★ ★ ★

Um comentário em “A Bela e a Fera (2017)”

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