A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)

Ghost in The Shell

Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Jonathan Herman (roteiro), Jamie Moss (roteiro), Masamune Shirow (baseado no mangá de)
Gênero: Ação/ Drama /Ficção Científica
Origem: Estados Unidos
Duração: 120 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Lasarus Ratuere, Yutaka Izumihara, Tawanda Manyimo, Peter Ferdinando, Rila Fukushima, Christopher Obi, Michael Wincott, Danusia Samal, Anamaria Marinca, Daniel Henshall, Mana Hira Davis, Kaori Momoi

Sinopse: A Major, uma agente especial, uma ciborgue única, lidera a força-tarefa de elite Seção 9. Dedicada a deter os mais perigosos criminosos e extremistas, a Seção 9 enfrenta um inimigo cujo único objetivo é destruir os avanços da HankaRobotic na tecnologia cibernética.


CRÍTICA

Você conhece a fábula da Pedra e da Areia?

Se nos pegarmos olhando cada uma de nossas vivências do passado, certamente conseguiríamos construir uma base bem visível de nosso Eu no presente. Como se ao observarmos flashs de nossas vidas, pudéssemos encaixar cada um destes fragmentos como figuras modeladoras em nossa motivação, sentimentos, perspectiva de vida, sonhos e frustrações. Assim, nosso passado e toda nossa vivência serve como alicerce para os passos adiante que devemos executar, para os caminhos que devemos seguir e para as decisões que necessitamos arcar com as consequências. E se você não tivesse seu passado, ou até mesmo duvidasse da existência dele, saberia julgar qual seria seu próximo passo?

Adaptação do famoso anime de 1995 (que não vi), A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell, acompanha num ambiente pós 2029, um Mundo onde cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. MotokoKusanagi, conhecida como Major, é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos. Ao mesmo tempo em que busca desvendar um mistério por trás de mortes de uma grande empresa, ela procura entender o motivo de sua existência e suas ligações no passado.

Esteticamente, A Vigilante do Amanhã é um filme irrepreensível. Envolto de cores e luzes que trazem e afundam seus personagens num saboroso mundo Cyberpunk, o diretor Rupert Sanders entende que seu filme depende essencialmente da atmosfera futurística e da notória necessidade de que sua personagem principal seja o fio do condutor dos dilemas envoltos de sua obra.
Dessa forma, por mais que A Vigilante do Amanhã seja um grandioso filme de ação, com sequências absolutamente irretocáveis – como a primeira invasão da Major – o filme acaba ganhando tons mais soturnos pela busca incessante da personagem em saber seu passado e portanto, entender sua motivação, sua personalidade e consequentemente seus sentimentos.

Retornemos agora ao início desse texto. Pensem numa Pedra e na Areia. Em toda nossa vida, já pudemos nos deparar com as mais variáveis situações, estas moldam o nosso Eu – nossas angústias, frustações, medo, ansiedade, estresses, amores… Todas essas emoções e variáveis são acompanhadas evidentemente por nossas memórias das situações em que ela ocorreram. Mas o que as definem? Nossos atos? Ou nossas memórias com relação a elas?
Pensemos agora numa antiga lenda árabe “Entre a Areia e a Pedra”. Nesta fábula, dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, começaram a discutir tanto que um acabou dando um soco no rosto do outro. O que foi agredido, sem nada dizer, escreveu na areia: “Hoje, meu melhor amigo deu-me um soco no rosto”. Mesmo ressentidos, seguiram viagem juntos e chegaram a um oásis. Enquanto se banhava num dos poços, o que havia levado o soco começou a se afogar, mas foi salvo pelo amigo. Ao se recuperar pegou um estilete e escreveu numa pedra: “Hoje, meu melhor amigo salvou-me a vida”.
Intrigado, o amigo perguntou: Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora que te salvei, escreveu na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu: “Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar”.

Notem, dessa forma, como essa lenda dialoga diretamente com o vazio existencial da personagem de Scarlett Johnansson, numa jornada visual, poética e filosófica, já que perdida, ela nem mesmo sabe o que em toda sua história está escrito em pedras, nem mesmo o que o vento levou de suas experiências, o que a transforma num fantasma preso dentro de um corpo. Sem sentimentos, sem amores, sem decepções.
Sem suas vivências que nenhum vento pode apagar, aquelas únicas capazes de construírem, em última esfera, a essência de cada um.

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