13 Reasons Why (1ª Temporada)

13 Reasons Why

Criador: Brian Yorkey
País: Estados Unidos
Temporada:
Número de Episódios: 13
Gênero: Drama
Estreia: 31 de Março de 2017
Duração (Episódio): 60 minutos
Elenco Principal: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Alisha Boe, Brandon Flynn, Justin Prentice, Miles Heizer, Ross Butler, Devin Druid, Amy Hargreaves, Derek Luke, Kate Walsh, Steven Silver, Michele Selene Ang, Brian d’Arcy James, Ajiona Alexus, Josh Hamilton.

Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.


CRÍTICA

Nos últimos meses a série 13 Reasons Why, nova produção da Netflix, gerou o que costumeiramente chamamos de “rebuliço na internet”, onde opiniões absolutamente extremas se digladiavam a respeito nem tanto das qualidades artísticas da série, mas muito em função da delicada temática abordada. Confesso, portanto, que me senti relutante em assistir a série no meio desse turbilhão de opiniões e tomar partido em uma dessas posições, sendo mais aconselhável, na verdade, esperar a poeira abaixar e poder assisti-la sem nenhum tipo de discussão externa a respeito de minha experiência individual com a produção.
Dito isso, é inegável que a natureza depressiva da série seja a grande ferramenta de discussão sobre a depressão e consequentemente o suicídio de Hannah Baker, estendendo-se ao questionamento do quão uma obra pode ou não influenciar alguém que passa pelos mesmos ou similares problemas da protagonista da série.

E caso eu tivesse que tomar partido a respeito da influência da série certamente seria de afirmar sua importância por estimular uma discussão absolutamente séria e profunda, que constantemente é encarada de maneira equivocada, e que fique claro, muitas vezes pela simples falta de conhecimento a respeito do assunto. Uma mea-culpa que devo fazer de algo ocorrido anos atrás.
Quando mais novo, no condomínio em que morava com meus pais, uma vizinha se matou, deixando uma filha (que inclusive estava na casa no momento). Lembro-me de julgá-la, com os ares da ignorância aflorados: “Como você pode ser tão covarde e deixar sua filha sofrer sem uma mãe para cria-la?”. Mas o tempo, experiência e a procura de informação foram me dizendo o quão errado eu estava. Porque a Depressão é uma doença, e deve ser tratada como tal. Vejamos, porque quando você tem qualquer tipo de doença você procura um médico, e quando você tem a Depressão não? Raríssimos são os casos onde a pessoa consegue passar por momentos depressivos sem causar algum dano para si e para as pessoas ao seu redor. E justamente por não ser tratada como tal, a Depressão é uma das doenças que mais matam no Mundo. Portanto se você acha que “quem se mata é covarde” sinto lhe informar, mas você está equivocado, redondamente errado. E não é uma questão de opinião, cientificamente comprovado, a Depressão é SIM uma doença. Portanto ao menos que você ache que quem morre de câncer também é covarde, você NÃO tem o direito de achar isso sobre alguém que se suicida.

Pego agora uma citação do livro Ansiedade 2 – Auto Controle de Augusto Cury (que aliás dialoga bastante com determinados elementos da série) para reiterar a importância da discussão a respeito:
“Há 800 milhões de pessoas no mundo passando fome, e há bilhões de pessoas desnutridas emocionalmente, que clamam pelo pão da alegria e da paz interior. Raramente se fala desse dantesco fenômeno psicossocial. Até a Organização das Nações Unidas (ONU) silencia diante desse drama emocional… Cedo ou tarde a depressão – o último estágio da dor humana abarcará 1,4 bilhão de pessoas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Gerenciar a emoção e filtrar estímulos estressantes é tão importante quanto a vacina contra a poliomielite.”

Percebem, portanto, que 13 Reasons Why tem o inegável mérito de levantar o assunto para uma discussão mais ampla – inclusive sobre os efeitos de obras como gatilhos emocionais, algo que merece um estudo mais aprofundado e de conhecimento mais afundo do tema, apesar que mesmo dentro do mundo da psicologia não exista um consenso a respeito.

Dito tudo isso, vamos nesse instante nos apegar a série em si, mesmo que obviamente sua temática dialogue a todo momento com sua execução.
Baseada no livro de Jay Asher, 13 Reasons Why acompanha Clay Jensen que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, ele encontra fitas-cassetes gravadas por Hannah Baker – sua colega de classe e paixão secreta – que cometera suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hannah explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida.

13 Reasons Why utiliza uma estrutura que se divide em duas linhas narrativas, uma onde Clay escuta as fitas e outra onde os acontecimentos destas são retratados. Dessa forma, a série utiliza com extrema inteligência uma infinidade de rimas visuais e narrativas que se encaixam como ponte entre essas linhas, como uma porta se abrindo que serve como gancho para alternar entre as narrativas, trazendo assim uma montagem com uma fluidez espetacular, conseguindo manter um ritmo dinâmico e intenso, conduzindo com uma adequada tensão, capaz de prender o espectador com o desfecho da história e fundamentalmente de seus personagens – mesmo que em alguns episódios (7º e 8º principalmente), perca um pouco de fôlego, já que a temporada com treze episódios, por mais que poeticamente faça sentido, acaba estendendo-se demasiadamente em sub-plotes desnecessários para a trama em si, como o Clube de Poesia, por exemplo, mas principalmente os delírios de Clay, algo que enfraquece consideravelmente a densidade dramática das ocasiões onde estão inseridas, já que em momento algum a série flerta com esse tipo de abordagem – e percebam como Clay tem mais alucinações justamente nos episódios citados acima, o que justifica a intenção da usual encheção de linguiça para preencher a necessidade de ocupar treze episódios.

Do ponto de vista visual 13 Reasons ainda procura ser bem cuidadosa ao não criar uma confusão sobre suas linhas narrativas, utilizando de maneira inteligente o curativo na testa de Clay, além das tonalidades de fotografia contrastantes: No presente, temos uma coloração mais azulada e fria, contrapondo-se com o passado, representado por uma paleta sépia e amarelada – sendo mais intensa quando as lembranças são positivas, como se o amarelo ressaltasse um calor afetivo naquelas memórias.

Em um elenco homogeneamente excelente, 13 Reasons Why ainda consegue entregar grandiosas atuações, merecendo todo o destaque para sua dupla de protagonistas, vividos por Dylan Minnette e Katherine Langford. Minnette que serve como fio condutor de todas as narrativas, constrói Clay como uma figura tímida, simpática e amorosa, mesmo que não saiba exatamente como lidar com seus sentimentos e na convivência com seus colegas, e é extraordinário que o excelente ator, paralelamente, desconstrua seu personagem, fazendo-o sofrer com o arrependimento, a raiva e vingança, que graças a brilhante atuação do ator, ganham contornos dramáticos com uma vivacidade impressionante.
A desconhecida Katherine Langford estabelece Hannah Baker como uma figura pluridimensional, perdida a respeito do caminho de aceitação social que deve percorrer. Percebam como Hannah nas interações com Clay e seus pais sempre encontra-se mais aberta e feliz, contrapondo-se aos momentos em que busca que os olhares de seus colegas não sejam punitivos e julgadores, construindo uma personagem emocionalmente e psiquicamente destruída, e que justamente por se fechar e não expor todos os seus sentimentos acaba tendo um fim trágico.
No elenco ainda vale as menções para Christian Navarro, Miles Heizer, Amy Hargreaves, Kate Walsh e Brian d’Arcy James.

Por fim 13 Reasons Why procura demonstrar que o suicídio de Hannah Baker foi uma trágica consequência da Depressão, buscando montar um terreno onde possa discutir sobre os pontos que julga essencialmente importantes para o combate contra essa miserável doença. É verdade que a série a todo o momento aceita a difícil tarefa de andar numa perigosa linha tênue entre suas boas intenções e o ato de não fantasiar algo terrível como o suicídio, saindo-se incrivelmente bem nesse ponto, já que ao invés de ser catapultada como gatilho negativo, a produção procura estender-se como uma luz na procura de ajuda, na melhor atenção dos pais, na importância fundamental do controle escolar – por meio de prevenções, campanhas, acompanhamentos de psicólogos e diversos outros meios que podem servir como auxílio no combate a Depressão como um todo.
E se 13 Reasons Why, além de artisticamente ser uma excelente obra, grita em caixa alta que ‘Precisamos Falar Sobre a Depressão’ merece todos os elogios que vem recebendo, já que entender os porquês, pode ser o primeiro passo nessa dura batalha.

★ ★ ★ ★


Avaliação por Episódio
01. Tape 1, Side A ★ ★ ★ ★ ★
02. Tape 1, Side B ★ ★ ★ ★ ★
03. Tape 2, Side A ★ ★ ★ ★ ★
04. Tape 2, Side B ★ ★ ★ ★ ★
05. Tape 3, Side A ★ ★ ★ ★
06. Tape 3, Side B ★ ★ ★ ★
07. Tape 4, Side A ★ ★ ★ ★ ★
08. Tape 4, Side B ★ ★ ★ ★ ★
09. Tape 5, Side A ★ ★ ★ ★
10. Tape 5, Side B ★ ★ ★ ★
11. Tape 6, Side A ★ ★ ★ ★ ★
12. Tape 6, Side B ★ ★ ★ ★ ★
13. Tape 7, Side A ★ ★ ★ ★

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