Críticas, Séries

House of Cards (2ª Temporada)

House of Cards

Criador: Beau Willimon
País: Estados Unidos
Temporada:
Número de Episódios: 13
Gênero: Drama
Estreia: 14 de Fevereiro de 2014
Duração (Episódio): 45-60 minutos
Elenco Principal: Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Molly Parker, Michel Gill, Gerald McRaney, Nathan Darrow, Mahershala Ali, Derek Cecil, Rachel Brosnahan, Sakina Jaffrey, Jayne Atkinson.

Sinopse: Na segunda temporada, Francis (Kevin Spacey) e Claire (Robin Wright) Underwood continuam sua ascensão implacável ao poder enquanto chantageiam a todos. Zoe Barnes (Kate Mara), uma repórter esperançosa e ex-amante de Francis, está cada vez mais perto da verdade sobre os crimes cometidos pelo político. O bilionário confidente do Presidente Walker (Michel Gill), Raymond Tusk (Gerald McRaney), exige que Francis retribua favores políticos ou enfrente as represálias. Claire deverá enfrentar o crescente brilho dos holofotes, enquanto sua vida e a de Francis, que uma vez já foi privada, é cada vez mais exposta. Os Underwood devem superar esses perigos – do passado e do presente – para evitarem perder tudo, independente do dano colateral que deixam em seu caminho.


CRÍTICA

Eu preciso escrever esse texto, mesmo que a discussão sobre a segunda temporada de House of Cards fique em último plano.

Devo confessar que, quando adolescente, nunca fui um cara muito ligado em Política. Sempre achei chato, escutava alguns tios e primos berrarem verdades absolutas e inquestionáveis sobre roubalheira, corrupção e políticos que deveriam morrer – o que me surpreendia, afinal não sou familiarizado com alguém desejar a morte de outra pessoa. A mantra do todo político é ladrão e corrupto, e portanto deve morrer e apodrecer no inferno, é algo que vocês certamente já devem ter ouvido e quiçá falado.

E talvez o Cinema tenha me trazido para um outro tipo de visão a respeito da Política, e não digo necessariamente por “assistir filmes de política”, mas sim porque, quando decidi que escreveria sobre filmes, procurei estudar, entender o conceito em que estavam inseridos.
Isso leva a informação, traz à tona questionamentos e visões que, acreditem, vocês não terão acesso assistindo Jornal Nacional, acessando o UOL ou lendo revistas “jornalísticas” como Veja e IstoÉ. E aqui estende-se para outro espectro muito importante nessa discussão e na minha vida que é o jornalismo, que quando criança, foi a profissão que havia escolhido para viver.
Discutir o papel do jornalismo, hoje em dia, é quase um exercício utópico. O jornalismo não é de hoje que assume mais do que nunca a figura do Quarto Poder, tendo influência direta sobre os três poderes teoricamente supremos de uma Democracia – Legislativo, Executivo e Judiciário. E não tenho a menor dúvida de que se o jornalismo exercesse sua real função de informar, a despeito da bandeira que seu grupo empreendedor por trás levante, certamente teríamos uma população menos analfabeta política. Façamos um exercício agora. Vamos conversar com aqueles que “se indignam com a corrupção”. Aqueles que batem panelas, colocam com orgulho a camisa da CBF, fazem “discurso político” no Facebook (aspas do tamanho do Congresso Nacional) e vão as ruas “contra essa maldita corrupção”. Mas, com o perdão da generalização, vale lembrar que estes só estão preocupados com a corrupção quando esta atinge no bolso deles, fora isso, que se exploda o país e suas mazelas. Eles saberiam me informar sobre Escândalo da Merenda? Furnas? Pasta Rosa? Máfia do Cachoeira? Cartel do Metrô? Se você não faz a menor ideia do que estou falando saiba que você serviu direitinho como massa de manobra – sinto lhe informar mas você foi propositalmente desinformado. Mas você com certeza sabe sobre Mensalão, Petrobrás, Odebretch, Pedaladas Fiscais… Esse último na verdade as pessoas até falam, mas não fazem a menor ideia do que significa, ou você – me perdoem novamente a generalização – saberia me informar o que são pedaladas fiscais? Mas não pensem que existe corrupção maior ou menor, ou muito menos uma bandeira que você deve se enrolar e negar a existência das demais – por mais que você seja levado a essa conclusão.
E esse é o ponto essencial desse texto, o seu senso crítico tem que ser diferente do que os outros querem que seja. Não se deixe influenciar por meios que teoricamente deveriam lhe informar. Saiba que nesse jogo, todos possuem interesses. Não sejam ingênuos.

O que isso cria? A intolerância. Pessoas desejam a morte dos outros como se fosse algo completamente natural: “Porque esse político não morre logo”. O que faz com que figuras conservadoras, raivosas e deploráveis como Bolsonaros da vida ganhem espaço nas costas da indignação seletiva da população. No começo eu até me surpreendia com esse tipo de abordagem, hoje nem tanto. O clima raivoso e intolerante tomou conta da política, que atingiu até mesmo aqueles que nem sabem do que estão falando. A população está indignada porque “está sendo roubada”. E se você acha, por exemplo, que um presidente pode colocar seu país em crise para ficar rico, não tem a mais absoluta ideia de como funciona uma Democracia – e acredito que bastarão cinco minutos de explicação para minha prima de seis anos para ela entender isso. Mas quando você está com ódio, você não consegue enxergar nada a sua frente, apenas a figura que filtra a sua raiva. Os políticos – apenas de um lado, é claro – estão tirando o dinheiro do povo e ficando rico, então todos eles devem morrer e apodrecer no inferno. Tão simples, não é mesmo?

Portanto, por favor, estimule seu senso crítico ou simplesmente se abstenha de comentar sobre o assunto, será não só um favor para os demais como também para você mesmo. Evite achar que em toda essa história existe bonzinho e malzinho. Que existe um juiz herói que colocará uma capa e uma mascará e salvará o país. Procure ser menos ingênuo, mesmo que muitos queiram que você continue sendo e sirva de degrau para eles atingirem… o topo. Porque é assim que funciona o jogo político. É tudo um jogo de interesses. Assista House of Cards. Esqueça bandeiras, olhe para as pessoas, procure saber sobre a história de cada um, se informe, julgue suas condutas administrativas, saiba que a Democracia ainda é o melhor dos piores sistemas políticos. Porque sabe qual o problema de qualquer sistema político? As pessoas. Elas são corruptas por natureza – as que não são, apenas exceções. Portanto se você acha natural pagar um dinheiro por fora para um técnico de uma TV por assinatura liberar para você todos os canais; falsificar sua carteirinha de estudante; comprar uma CNH; pagar um dinheirinho para o policial liberar você… Saiba, você só não é mais corrupto do que os “ladrões” que você tanta julga porque não teve a oportunidade. Porque não existe ser meio honesto ou meio corrupto. Ou você é, ou não é. A Política apenas aflora o senso corrupto que essas pessoas já exerciam diariamente.

Essa é uma conduta que levo diariamente comigo, que quero passar para os meus filhos. E quando estamos pisando no terreno da política… Tome cuidado.

Ah, e para não esquecer, assistam House of Cards.

“Para aqueles de nós escalando até o topo da cadeia alimentar, não pode haver misericórdia. Só há uma regra. Cace, ou seja caçado.”

“Se não gosta de como a mesa está posta, vire a mesa”

“Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Não respeito quem não sabe distinguir os dois”.

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1 thought on “House of Cards (2ª Temporada)”

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