2016, Críticas

Os Capacetes Brancos (2016)

The White Helmets

Direção: Orlando von Einsiedel
Roteiro: Orlando von Einsiedel
Gênero: Documentário
Origem: Inglaterra / Reino Unido
Duração: 41 minutos
Tipo: Média-metragem

Sinopse: Segue a história de um grupo de voluntários conhecido como “os capacetes brancos”, que protegem sírios da Guerra Civil Síria.

Premiações: Vencedor de 1 Oscar: Melhor Documentário – Curta-Metragem


CRÍTICA

Mais de 450mil mortos. Essa é a última contagem da Guerra na Síria, um conflito que já se arrasta por seis anos e ainda não está próximo de um término. Entender os motivos dessa Guerra é algo sumariamente essencial para compreender as posições políticas das potências envolvidas, assim como o entrelace religioso que se desmembra numa sanguinária luta armada. Entretanto, como em qualquer Guerra, a linha de frente, a que mais sofre, sempre são os civis. Justamente por isso, imagens chocantes como do menino todo empoeirado e ensanguentado numa ambulância (clique aqui) ou duas crianças mortas afogadas, tentando deixar o país (clique aqui) – e segundo a ONU, aproximadamente 4,5 milhões de pessoas já deixaram o país – acabam se tornando tristes símbolos duma população que a cada minuto se vê na iminência de perder a própria vida em um bombardeio.

Em 2011, um grupo de estudantes, após pintarem mensagens revolucionárias nos muros de uma escola, acabaram presos e por fim torturados nas mãos do Governo sírio. Primeiramente situando a respeito da posição geopolítica da Síria, o país era governado pelo ditador Bashar Al-Assad desde 2011 (sucedendo seu pai que comandava desde 1971). Em outros tempos essa tortura sofrida pelos manifestantes seria apenas mais um evento corriqueiro de um país em regime ditatorial, porém aliado a um alto índice de desemprego, fome, corrupção e a evidente repressão e falta de liberdade política, o povo Sírio se inspirou na Primavera Árabe, onda de protestos populares que se estendiam pelos países árabes – e vale a lembrança do documentário The Square – e decidiram ir as ruas, não se deixando intimidar pela política opressora de Bashar Al-Assad.
Obviamente governos ditatoriais não são lá muito simpatizantes com protestos pacíficos, muito menos interessados em saber a opinião da população. E qual a melhor forma de “dialogar” num governo ditatorial? O diálogo do chumbo: Abrir fogo contra os manifestantes que pediam a saída do presidente.

E nessa luta, quanto mais as pessoas se opunham e se manifestavam, maior era a opressão do governo. Os grupos antigoverno, agora já armados, começaram a se defender e posteriormente expulsar as forças adversas. A violência então foi aumentando cada vez mais e vários grupos foram se formando, criando uma Guerra dentro da própria Guerra, já que interesses políticos se misturavam numa briga religiosa, que posteriormente seria abraçada pelo Estado Islâmico, que subsequentemente vê a entrada de potências como Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido, numa Guerra que ainda se vê longe de um desfecho.

Porém em meio a toda esse terror implantado, um grupo de verdadeiros heróis tem como missão resgatar as pessoas dos constantes bombardeios ocorridos em solo sírio. Os Capacetes Brancos são um grupo de voluntários que oferecem o serviço de emergência e ajuda aos ataques de bombas, uma ONG de defesa civil – sustentada por doações e recursos de governos ocidentais.
O diretor Orlando von Einsiedel constrói uma eficiente estrutura em seu documentário para acompanhar o dia a dia dos heróis sírios. Assim, o diretor utiliza imagens resgatadas de salvamento da população em meios aos escombros, o treinamento dos voluntários – realizado na Turquia – assim como o desespero quando sabem que familiares estão entre os mortos nos ataques.
E o resgate de um bebê de apenas uma semana de vida, que sobreviveu por incríveis dezesseis horas subterrado, é um dos momentos mais tocantes e marcantes da produção.

Humanitário, Os Capacetes Brancos é um retrato de que mesmo em uma Guerra é possível encontrar heróis, já que salvar uma vida, na verdade, é salvar toda a humanidade. E na Síria os heróis não usam capa, apenas capacetes brancos.

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