2017, Críticas

Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (2017)

Star Wars: The Last Jedi
Direção: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson (roteiro), George Lucas (personagens)
Gênero: Ação/ Aventura/ Fantasia/ Ficção Científica
Origem: Estados Unidos
Duração: 150 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Benicio del Toro, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Anthony Daniels, Lupita Nyong’o, Gwendoline Christie, Frank Oz, Billie Lourd, Peter Mayhew, Joonas Suotamo, Veronica Ngo, Mark Lewis Jones

Sinopse: Tendo dado os primeiros passos para o mundo Jedi, Rey junta-se a Luke Skywalker em uma aventura com Leia, Finn e Poe, que desencadeia os mistérios da Força e os segredos do passado.


CRÍTICA

Star Wars: Episódio VIII é um filme que, ao contrário do restante dos episódios da saga, deve ser digerido e entendido em sua plenitude após uma leitura um pouco mais densa a respeito das camadas alcançadas pela obra. Não que Os Últimos Jedi seja complexo em sua estrutura ou temática propriamente dita, mas sim por buscar trilhar um caminho não habitual a Star Wars, parecendo, inclusive, durante inúmeras vezes nem mesmo ser um ‘filme de Star Wars’. Lembro-me de comentar sobre o excelente O Despertar da Força e ressaltar sobre a importância da essência da saga ser resgatada, numa obra que servia praticamente como uma atualização de Uma Nova Esperança. Dessa forma foi com certo temor que fui notando algumas escolhas trilhadas pelo diretor Rian Johnson, mas que ao serem clareadas, mostraram-se justificáveis, já que aquele clima de Star Wars que tanto apaixonou os fãs, sofrera, na verdade, uma necessária metamorfose.

Acontece que Johnson, responsável pelos espetaculares A Ponta de Um Crime e Looper – Assassinos do Futuro, trouxe uma nova dinâmica e rumo a Star Wars, mergulhando a saga num clima mais denso e sombrio, envolvendo sua gama de personagens numa teia dramática, social, política e bélica, com pinceladas artísticas, jamais alcançadas paralelamente pela série – o que poderá causar certa estranheza (o meu caso) ou até mesmo afastar determinado público.

Em Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi, após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre Jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde.

A primeira grande camada que devemos ressaltar no longa é como Johnson conseguiu explorar dramaticamente seus personagens com ainda mais intensidade, fazendo deles sem dúvida alguma a grande força motriz de Os Últimos Jedi. Notemos como Rey, Kylo Ren e Poe Dameron possuem arcos narrativos mais bem costurados e explorados nesse último episódio, da mesma forma que antigos personagens como Luke e Leia não são esquecidos, e recebem a devida e louvável atenção.

Os Últimos Jedi começa do ponto final de O Despertar da Força, algo até então inédito na saga, dando continuidade aos arcos levantados anteriormente, preparando um desfecho final e desenvolvendo novos – e velhos – personagens. Percebam que o manuseio que Rian Johnson deve fazer de tantos arcos, plotes e desenvolvimentos simultaneamente é crucial, como se um cirurgião precisasse operar ao mesmo tempo a cabeça, coração e coluna. E Johnson ainda possui um apreço estético e artístico apurado, como já demonstrado em sua filmografia, o que torna a tarefa ainda mais minuciosa e perigosa para o resultado final. Portanto ‘coragem’ talvez seja o termo que melhor represente Episódio VIII, em todos os aspectos possíveis.

Notem como Os Últimos Jedi apresenta arcos narrativos que vão subindo, degrau a degrau, sempre avançando a obra tematicamente ou em posicionamento. Assim, mesmo uma sidequest a princípio irrelevante e desnecessária – do cassino – torna-se essencial para desenvolver o aspecto social: Externado pelo diálogo entre os personagens de John Boyega e Kelly Marie Tran; E político e de crítica bélica notória, representado pelo personagem de Benício Del Toro.
Portanto Rian Johnson fundamenta uma base estrutural repleta de características dramáticas, sem deixar de lado a ação – assim como Rogue One, transformando-o num “filme de Guerra”, que enriquecem grandiosamente o universo de Star Wars, mas que ergue e traz como centro fundamental da nova saga, a Força, tratando-a com o devido cuidado e magnitude, contornando assim uma profundidade entre Luz x Lado Sombrio e o equilíbrio necessário para que esta transcorra por cada um dos personagens como uma energia que guia o universo.

Ao mesmo tempo que Episódio VIII busca alcançar novos caminhos, procura também restabelecer ainda com mais intensidade a dualidade entre os dois espectros do bem e do mal, aqui caracterizado pelos personagens de Rey e Kylo Ren, que ainda mais bem desenvolvidos, e com conflitos humanos que procuram se equilibrar numa linha tênue que separa ambos os lados, constroem a real essência do novo caminho traçado em Star Wars. Portanto sim, Star Wars: Episódio VIII é sim um ‘filme de Star Wars’, justamente por entender o que de mais significativo e poderoso existia até hoje em toda a série.
Porque mais do que luta de sabres e guerras espaciais, Star Wars é uma saga sobre a Força, e a filosófica batalha que a Luz e Escuridão travam incessantemente em cada ser vivo que habita a galáxia tão tão distante.

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Um comentário em “Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (2017)”

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