2017, Críticas

Viva: A Vida é uma Festa (2017)

Coco
Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina
Roteiro: Lee Unkrich (roteiro e argumento), Adrian Molina (roteiro)
Gênero: Animação / Fantasia
Origem: Estados Unidos
Duração: 109 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía, Edward James Olmos, Antonio Sol, Alfonso Aráu, Selene Luna, Dyana Ortelli, Herbert Siguenza, Jaime Camil, Sofía Espinosa, Luis Valdez, Polo Rojas, Montse Hernandez, Lombardo Boyar, Octavio Solis, Gabriel Iglesias

Sinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos.


CRÍTICA

Quando a Pixar entregou, anos atrás, possivelmente a melhor de suas produções – Divertida Mente (2015) – lembro-me de comentar sobre a incrível ambição do estúdio em alçar voos maiores do que já havia atingido, mesmo tendo uma filmografia que já beirava o irretocável. Esta impressão dava-se pela enorme criatividade e ousadia do estúdio ao elaborar histórias e universos absolutamente únicos e originais, sempre contadas com a usual magia Pixar, mesclando a competência técnica e criativa com o aspecto dramático de suas produções. E mais uma vez a Pixar ousa arriscar com Viva – A Vida é Uma Festa, que apesar de não ter mesma genialidade de algumas outras obras do estúdio, prova mais uma vez o quão especial e extraordinário é a mente de seus idealizadores.

Escrito por Lee Unkrich e Adrian Molina (que também assumem a direção), Viva acompanha Miguel, um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas que precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, Miguel acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Viva começa estabelecendo um cenário absolutamente “aconchegante” e muito mais mundano e próximo de nossa realidade (podendo tranquilamente, principalmente em sua parte inicial, ser um longa em live-action), retratando as ruas do México com enorme simplicidade, mas de uma, com o perdão do trocadilho, vida contagiante, onde cada uma das pessoas que se cruza nas ruas, denotam cicatrizes que a humilde vida lhes causou, com a mesma intensidade que aproveitaram cada um desses momentos. Em semelhante proporção também presenciamos a vida do garoto Miguel, um jovem apaixonado por música e radiante com um simples caminhar pelas pedregosas ruas mexicanas, mas que sucumbe ao precisar esconder e limitar seus sonhos para não decepcionar sua família. Notem como mais uma vez a Pixar decide atingir outras camadas, ampliando uma discussão sobre escolhas, pressão e o verdadeiro papel da família. Nesse ponto a viagem de Miguel, mais do que para o Mundo dos Mortos, é também para o seu próprio “Mundo Interno”, já que o garoto precisa aprender a lidar com as escolhas feitas por ele e pela própria família.
Para construir esse ambiente, os diretores Lee Unkrich e Adrian Molina criam um mundo absolutamente fascinante, desenvolvendo uma lógica visual e conceitual extraordinária, ao estabelecer regras e estruturas bem claras e muito bem exploradas, como os brilhantes segmentos em que criam um raciocínio em que, caso uma pessoa seja esquecida pelo mundo do vivos, ela deixará de existir no mundo do mortos. Este conflito, aliás, reserva boa parte das mais fortes intensidades dramáticas do longa, onde o arco do personagem de Hector ganha tons mais profundos e tortuosos sobre o destino dos personagens centrais – mesmo que o filme escorregue consideravelmente em algumas resoluções finais, ligeiramente esquemáticas e convenientes ao roteiro, e com soluções não tão inspiraras como sua plote.

Permito-me também realizar uma analogia da vida do garoto Miguel regida por sua paixão, a música. Notem como o protagonista considera cada tom musical como algo substancial para sua existência, não medindo esforços para que aquele sentimento transcendente, que apenas a música consegue exalar, possa fazer parte de sua vida – e isso para um apaixonado por música, como eu, é tocante. Assim, o caminho trilhado por Miguel na busca pelo mito de Ernesto de La Cruz representa sem sombras de duvidas um mundo de descobertas da juventude, onde presenciamos e experimentamos os mais diversos sentimentos, escolhas, vislumbres e decepções – algo que se concilia bastante com Divertida Mente.

Pisando no mundo dos mortos com o intuito de celebrar a vida, Viva – A Vida é Uma Festa é mais uma experiência única entregue pela Pixar, desenhada com tons inteiramente humanos e reais sob a perspectiva psicológica de seus protagonistas.
E se existe algo que certamente celebra a vida na sua máxima potência é a música, cinema e família, o pacote completo e imenso de paixão mais uma vez entregue pela Pixar.

★ ★ ★ ★

Um comentário em “Viva: A Vida é uma Festa (2017)”

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