2017, Críticas

De Canção em Canção (2017)

Song to Song
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick (escrito por)
Gênero: Drama / Música / Romance
Origem: Estados Unidos
Duração: 129 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Rooney Mara, Michael Fassbender, Ryan Gosling, Natalie Portman, Cate Blanchett, Holly Hunter, Val Kilmer, Bérénice Marlohe, Heather Kafka, Austin Amelio, Tom Sturridge, Dora Madison, Angela Bettis, Callie Hernandez, Linda Emond, Patti Smith, Lykke Li

Sinopse: Dois casais, um formado por dois compositores e outro por um magnata da música e uma garçonete que ele ilude, perseguem o sucesso através de uma paisagem de rock ‘n’ roll, sedução e traição.


CRÍTICA

A Árvore da Vida, definitivamente, abriu uma nova porta ao cineasta Terrence Malick. Esse caminho trilhado pelo diretor desde então, nas obras Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e nesse De Canção em Canção, busca mapear e aprofundar os relacionamentos amorosos e todos os conflitos existentes com a peculiar forma com que Malick enxerga e contempla Vida e Cinema.
Porque o Cinema de Terrence Malick decide cada vez mais afundar-se nas metáforas visuais e deslumbrantes de sua câmera, duma abordagem quase divina, utilizando seus personagens como estudos das relações pessoais de modo geral.

Escrito pelo próprio Malick, De Canção em Canção acompanha dois triângulos amorosos que se cruzam. É uma história de obsessão sexual e traição em meio à cena musical em Austin, no estado americano do Texas.

Formado em filosofia, ousaria dizer que Malick utiliza suas obras como uma terapia filosófica e psicológica das figuras amorosas que acompanha. Dessa forma, não seria absurdo imaginar que todos os personagens abordados nessa sua ‘Trilogia do Desespero Amoroso’ estejam sentados num divã, abrindo seu coração, suas angústias e sensações daqueles momentos retratados. Percebam como em boa parte do longa presenciamos uma narração em off – e pouquíssimas vezes observamos os personagens conversando entre si. Aliás, Malick insere as figuras paternas e/ou maternas como recepção das angústias dos personagens de Gosling, Fassbender, Mara e Portman. Constatem também como Malick algumas vezes se desloca da linha narrativa central, refletindo que quanto mais fundo você for, mais e mais desesperos amorosos encontrará.
Ao utilizar sua câmera que costumo classificar como divina, Malick mais uma vez capta a essência da vida de maneira absolutamente irretocável – e a abordagem do diretor nos remete mais uma vez a uma terapia, já que quase todas aquelas cenas, pelo enquadramento, cores fortes que se misturam com a iluminação brilhante da fotografia de Emmanuel Lubezki (nascido no paraíso), podem simular tranquilamente meras lembranças sensoriais. E novamente o diretor faz um contraste interessante entre a natureza e o lar dos protagonistas – reparem como os apartamentos e casas que abrigam todos, sempre são de paletas claras, com vidros enormes e que absorvem toda a claridade que os cercam. Essa metáfora de Malick busca contrastar a perspectiva e rumo com que os personagens caminham, basicamente como se suplicassem para que aquela luz solar (que pode ser encarada como divina, ou da “graça”, como Malick gosta de usar) adentrasse pelas paredes de suas casas e iluminassem o coração daquelas pessoas tão deprimidas e perdidas em seus próprios lares, ambiente este que deveria servir de conforto. Esses raios solares que atingem os protagonistas simulam fagulhas da experiência de vida que todos passam, como se fossem flechas que ampliassem seus sentimentos e abraçasse o próprio desespero existencial.
Terrence Malick ainda extrapola na experiência de sensações em seu longa, dando uma abordagem até mais sexual do que os anteriores, brincando com as tensões e momentos sexuais, e por fim, emocionais das figuras representadas pelo quarteto principal.

De Canção em Canção, como o próprio nome sugere, ainda permite que realizemos a analogia com um álbum musical, onde cada uma daquelas canções possam ser apresentadas como retratos ou fragmentos das experiências dos compositores – aqui, no caso, os protagonistas – sem obedecer nenhuma linearidade ou lógica cronológica.
Controlando sensorialmente o desespero amoroso de seus personagens, De Canção em Canção é mais uma experiência única que o Cinema de Malick nos entrega, um estudo sobre a vida, refletida pelos corações despedaçados e enclausurados em suas próprias angústias e aflições.
E é nessa obra-prima sobre a alma e a vida que sempre poderemos escutar, assistir, refletir e, claro, aplaudir!

“Eu vi o mundo, o iluminei. Como meu palco agora, fazendo anjos entrar, na nova era agora. Dias quentes de verão, rock and roll. A maneira como você tocava para mim no seu show. E todos os modos em que conheci. Seu belo rosto e sua alma elétrica”

★ ★ ★ ★ ★

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