2017, Críticas

Extraordinário (2017)

Wonder
Direção: Stephen Chbosky
Roteiro: Steve Conrad (roteiro), R.J. Palacio (romance), Jack Thorne
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 113 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Jacob Tremblay, Julia Roberts, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Mandy Patinkin, Daveed Diggs, Noah Jupe, Bryce Gheisar, Danielle Rose Russell, Elle McKinnon, Millie Davis, Ali Liebert, Nadji Jeter, Ty Consiglio, Kyle Harrison Breitkopf, James A Hughes, Nicole Oliver, Rachel Hayward, Crystal Lowe, Steve Bacic

Sinopse: Jovem garoto com uma deformação facial enfrenta os desafios de iniciar seus estudos em uma escola regular, e mostrar a todos que ele é igual a todos os outros estudantes.


CRÍTICA

Recentemente tive uma profunda conversa sobre a forma como enxergo a sociedade sob a perspectiva do meu jeito de ser, principalmente em como entender o real significado de nossa existência e como nossas escolhas e opções, se não prejudicarem ninguém, são situações que se resumem única e exclusivamente a nós. A opressão julgadora que encontramos na sociedade é aquilo de mais asqueroso e absolutamente hipócrita que se pode acontecer: As pessoas normalmente não estão preocupadas se aquilo que estão fazendo está certo ou errado, estão sim preocupadas se aquilo será ou não bem visto ou aceito pela sociedade, já que elas, muitas vezes, são as primeiras a apontar o dedo para o próximo. Eu, sabe-se lá porquê, entendi desde cedo que meu jeito de ser, meus hobbies e minhas escolhas seriam tomadas de acordo com aquilo que me traria prazer e não se fulanos e sicranos a minha volta gostariam ou enxergariam aquilo da melhor forma.
Essa questão surge ainda mais em evidência no século XXI, que talvez futuramente nos livros de História seja relembrado como o Século de Intolerância. Justamente por isso que filmes como Extraordinário serão sempre essenciais. Mas de nada adiantaria uma mensagem ou discussão interessante se cinematograficamente o filme não fizesse jus.

Roteirizado pelo trio Stephen Chbosky, Steve Conrad e Jack Thorne, baseado no romance de mesmo nome de R.J. Palacio, Extraordinário acompanha Auggie Pullman (Jacob Tremblay), um garoto que nasceu com uma deformidade facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele irá frequentar uma escola regular, como qualquer outra criança, pela primeira vez e assim precisa se esforçar para conseguir se encaixar em sua nova realidade.

Ambientado pelas mãos do diretor Stephen Chbosky – do sucesso As Vantagens de Ser InvisívelExtraordinário começa construindo uma ambientação do universo de Auggie como algo essencial para o desenvolvimento dos personagens centrais. Percebam como Chbosky tenta nos acolher no mundo de Auggie, ao utilizar com inteligência planos aéreos, que procuram ampliar o quarto do garoto – como se realmente entendêssemos que aquele ambiente é todo seu Mundo. De forma igualmente importante a direção de arte busca inserir elementos, como adesivos de estrelas e objetos de Star Wars para aconchegar ainda mais Auggie e o espectador.
Assim a produção acerta ao contornar os personagens de Extraordinário com curvas dramáticas potentes, preocupando-se até de maneira quase excessiva a desenvolver calculadamente cada um deles: até mesmo uma das amigas de Via.

E boa parte dos méritos de Extraordinário reside justamente em seus personagens, já que a trama busca caminhar por algo rotineiro e do cotidiano daquela família, numa nova etapa que se inicia – dessa forma, determinado conflito existente no ato final soa artificial e desnecessário. E todo esse aprofundamento deve-se muito as belas atuações de um elenco homogeneamente excelente, com destaques para Jacob Tremblay – que já havia impressionado em O Quarto de Jack – e Isabela Vidovic.

Contando uma história de aprendizagem e descoberta de um novo Mundo, Extraordinário nos mergulha na cabeça de Auggie, nos fazendo refletir em como cada um de nós tem suas particularidades e como devemos enxergá-las, não mascará-las ou se esconder dentro de um capacete. Mas se você se sentir bem usando uma trança no cabelo de Padawan de Star Wars… Use. Essa escolha é apenas sua e quem deve ou não ficar feliz é você. E que no fim possa olhar para o alto, e não mais para baixo para os pés das pessoas.

★ ★ ★ ★ 

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