2017, Críticas

Trama Fantasma (2017)

Phantom Thread
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Gênero: Drama/ Romance
Origem: Estados Unidos
Duração: 130 minutos
Tipo: Longa-metragem
Elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Lesley Manville, Camilla Rutherford, Gina McKee, Brian Gleeson, Harriet Sansom Harris, Lujza Richter, Julia Davis, Nicholas Mander, Philip Franks, Phyllis MacMahon, Harriet Leitch, Silas Carson, Richard Graham, Martin Dew, Ian Harrod, Eric Sigmundsson, Jane Perry, Tim Ahern

Sinopse: Na Londres dos anos 1950, o prestigiado costureiro da alta sociedade Reynolds Woodcock e sua irmã Cyril dirigem a Casa de Woodcock, vestindo nobres e damas de respeito. Mas certo dia ele se apaixona por Alma, uma jovem garçonete obstinada que se torna sua amante e musa, mas a presença dela altera sua rigorosa rotina que não permite nenhuma perturbação.


CRÍTICA

Paul Thomas Anderson é um psicanalista da mente humana que tem como material de estudo sua câmera, uma caneta e papel. Revendo algo que escrevi sobre a obra-prima Sangue Negro (clique aqui), num trecho que faço questão de pegar emprestado daquele texto, me referi ao diretor da seguinte forma: “…é uma investigação sobre a devoradora e impetuosa natureza do ser humano…”. Esse trecho de minha análise da obra de 2007 pode ser tranquilamente uma frase que vem acompanhada da filmografia de Paul Thomas Anderson, já que o diretor, abordando em diversas esferas e óticas da natureza humana, num percurso que vai desde o Amor até a Religião, divaga sobre o Homem como poucos diretores alcançam.

Escrito pelo próprio Anderson, Trama Fantasma acompanha Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis), que nos anos 50, é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado de Cyril (Lesley Manville), para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma (Vicky Krieps), que vira sua musa e amante.

A caminhada de Anderson nesse Trama Fantasma vai pelo terreno da perspectiva a respeito do Amor, e como este consegue estabelecer diversas formas e estruturas que o transforma em catapulta de nossos mais profundos sentimentos e ações. Assim Anderson inicia sua preparação desse cenário arquitetando a mente de seu protagonista como uma máquina codificada e praticamente indecifrável, e não é a toa que a única pessoa capaz de lhe entender é sua irmã Cyrill – em grandiosa atuação de Lesley Manville. Percebam como Anderson constrói Woodcock – Daniel Day-Lewis costumeiramente magistral – como um Ser metódico, arrogante, orgulhoso, frio e absolutamente entregue e enclausurado na sua rotina de trabalho. Woodcock respira graças as linhas que se infiltram nos tecidos de seus vestidos e a partir do momento em que não está no poder, ou dentro desse cotidiano, perde-se por completo.
Onde entra a figura de Alma – numa centrada, tocante e acertada atuação de Vicky Kireps – e como sua devoção pelo marido a transformou naquilo que Woodcock precisava, independente do que seja necessário, moralmente ou eticamente para atingir o êxtase do amor entre eles – e não me aprofundarei mais nessa observação para evitar revelações sobre a trama.

“Se ele não acordar disso, se não estiver aqui amanhã, não importa. Pois eu sei que ele estaria me esperando na vida após a morte, ou em algum lugar celestial seguro. Nessa vida, na próxima e na próxima. E para o que quer que aconteça na estrada que se segue a partir daqui. Só exigirá minha paciência para encontrá-lo de novo. Estar apaixonada por ele não torna a vida um grande mistério.”

Estudando a mente humana sob a perspectiva do Amor, num embate psicológico, angustiante e possessivo Trama Fantasma disserta sobre um jogo de poder que se embaralha entre o amor e a possessão, sendo mais um resultado do estudo humano, nas cirúrgicas mãos de Paul Thomas Anderson, entregando suas profundas e cuidadosas análises do Homem, desenhando seus personagens com a dor e alegria que apenas o Amor, em suas mais variadas formas, pode contornar.

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