Ma Ma (2015)


Penélope Cruz é sempre um espetáculo, e dessa vez é muito bem acompanhada por outras belíssimas atuações – do elenco como um todo, mas principalmente de Luís Tosar e Asier Etxeandia. É uma pena, portanto, que Ma Ma tenha dois atos tão distintos: Um primeiro centrado, com um drama bem construído e filmado com inteligência por Medem, já o segundo uma enorme bagunça, que flerta incrivelmente com uma novelona, inserções subjetivas absolutamente inócuas e que, por fim, pouco acrescentam a obra.


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Enterrado Vivo (2010)

Respire fundo e prenda bem seu oxigênio! “Enterrado Vivo” é um exercício asfixiante e arrebatador.


Olhe para todos os lados e só encontrará madeiras a menos de vinte centímetros de distância. Está tudo escuro, o oxigênio parece coisa rara em um local totalmente desconhecido. Celular e isqueiro é tudo o que resta para Ryan Reynolds, que como já diz o título, está enterrado vivo dentro de um caixão em meio ao território iraquiano.
Isso não chega a ser um spoiller (afinal está assim em sua ficha oficial), mas Reynolds é o único ator presente nos noventa minutos de produção. Somente escutamos algumas outras vozes nas ligações do celular de Reynolds, porém de forma alguma conseguimos escapar ou ao menos aliviar, o ambiente sufocante do qual nos encontramos no brilhante, “Enterrado Vivo”.

Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um motorista de caminhão que trabalha para uma empresa no Iraque. Paul acorda e se vê dentro de um caixão, somente com um celular e um isqueiro ao seu lado. Sem saber o porquê, onde, e quem o seqüestrou, ele terá apenas algumas horas para buscar um meio de fugir.

Não é fácil segurar um filme por uma hora e meia, somente dentro (literalmente) de um único local. O diretor espanhol Rodrigo Cortés poderia utilizar artimanhas como flashbacks ou acompanhar a tentativa dos oficiais na busca de Paul (o que a maioria esmagadora tentaria), porém Cortés utiliza o que “Enterrado Vivo” tem de melhor: Seu roteiro.
Escrito por Chris Sparling, ‘Buried’ consegue além da majoritária menção ao conflito Estados Unidos/Iraque, fazer com que todo o desenvolvimento de Paul ganhe sobrevida graças a um roteiro original belíssimo. Uma história que já foi contada de inúmeras formas, mas que ainda sim se torna original. Com as entranhas da trama combinada com sua incrível narrativa, conseguimos nos emocionar, angustiar e torcer desesperadamente para que a única pessoa do filme consiga escapar. Gradativamente vamos percebendo que a trama que observamos não é nada inovadora em sua síntese, mas sim da forma com que é colocada.

Então tendo como seu pilar o roteiro angustiante de ‘Enterrado Vivo’, Ryan Reynolds e a direção de Cortés são ‘puxados’ para cima e apresentam trabalhos excelentes. Reynolds (que estrelará “Lanterna Verde”) pode ser um ator canastrão e com trabalhos anteriores medíocres, porém aqui ele absolutamente se supera e surpreende com seu crescente desespero e paralelo conformismo com sua situação. Não se assustem de uma possível aparição nas principais premiações do ano.
O desconhecido diretor espanhol Rodrigo Cortés consegue realizar jogos de câmera simples, mas também aconchegantes ao público – controverso não? -, como por exemplo, mostrar o caixão de cima, dando uma total impressão da situação de Paul. E repito, o maior desafio de Rodrigo era manter o público tão sufocado como o personagem principal durante toda sua duração. Sendo assim, ele se utiliza de técnicas como a câmera viajante por todo o caixão, escolhendo uma fotografia adequada e, surpreendentemente, conseguindo, com a ajuda de Víctor Reyes, elaborar uma trilha sonora fundamental.

Concentrado sua força em elementos óbvios para um filme de apenas um personagem (atuação, história e clima), ‘Enterrado Vivo’ vai além, e consegue transformar o óbvio em brilhante, mas é claro, sem deixar o adjetivo ‘incomodo’ de lado.
Claustrofóbico, perturbador e asfixiante, “Enterrado Vivo” absorve quaisquer idealizações já realizadas, nos proporcionando uma obra original, angustiante e arrebatadora.

Nota: 9,0

por Filipe Ferraz

[REC] 2 – Possuídos (2009)

"[REC] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza

Tenta a qualquer custo justificar sua existência, mas graças a uma enorme ambição comercial e a uma história estupidamente horrível, esta continuação é um fiasco.

E não teve outra! O dinheiro falou mais alto, e Jaume Balagueró e Paco Plaza decidiram realizar uma continuação para o sucesso de bilheteria “[REC]” (clique aqui). A primeira fita de 2007 é o típico filme que não precisaria de nenhuma continuação, mas que deixa algumas arestas para possíveis oportunidades futuras. Não podemos também crucificar os diretores espanhóis, afinal estamos falando de um mercado menor se comparado ao de Hollywood, mas seria bom se de vez em quando o cinema – isso vale para tudo – fosse colocado acima de questões financeiras.

Pois bem, então a dupla espanhola decidiu voltar aos estúdios e começaram a gravação de “[REC] 2 – Possuídos” do ano passado, mas que só chega agora ao cinema brasileiro. A cada cena que se passa parece que todos envolvidos e todos os espectadores têm a mesma coisa em mente: “Uma continuação completamente desnecessária”.

É tão evidente que esta continuação jamais deveria ter sido cogitada que a cada plano-sequencia, a direção do filme tenta provar o real motivo de sua existência, acrescentado alguns apetrechos a mais com relação à primeira fita: Vários pontos de vistas na forma de membros da SWAT com câmeras em seus capacetes e principalmente em misturar uma questão religiosa a produção.

“[REC] 2 – Possuídos” erra grotescamente em misturar zumbis com pessoas possuídas, ou seja, esta escolha só serviu para apagar quase tudo que já havia sido trabalhado em seu primeiro episódio. Se anteriormente, quando mordida a pessoa se tornava um morto-vivo, agora ela está possuída(?).

A história é bem simples, passaram-se 15 minutos depois que as autoridades perderam contato com as pessoas enclausuradas no edifício (em um português mais claro, estamos 15 minutos depois do término do primeiro filme). Ninguém sabe o que acontece lá dentro e o caos toma conta do lado de fora. Enquanto isso, uma equipe da SWAT, com câmeras de vídeo é claro, é enviada para o interior do prédio para monitorar a situação e determinar o que estaria acontecendo.

Por que raios, membros da SWAT tem que andar com câmeras em seus capacetes e com um cinegrafista profissional a sua volta em quanto estão no meio de uma missão?? Obviamente para ter um filme.

Se na primeira fita, é totalmente crível uma repórter estar realizando um programa e por isso estar gravando os acontecimentos aterrorizantes, nesta continuação não faz sentido algum à existência da bendita, ou maldita câmera. Chegamos então à conclusão que se não á motivo para a presença da filmagem em primeira pessoa, não há nenhuma justificativa para a existência do filme aqui em questão. A trama consegue unir tanta estupidez que é difícil entender se este roteiro foi intencional ou não. Jaume Balagueró e Paco Plaza começam a dar explicações onde não precisa, tentando fugir do comum, mas perdão, este trabalho já estava fadado a cair no limbo do conformismo.

É obvio que existem alguns sustos (mesmo que sejam os mesmos do primeiro filme), mas quase nada deve ser levado em conta desta nova produção. Assustador não é a trama ridícula do filme, mas sim o que uma oportunidade exclusivamente financeira pode fazer. Estamos conformados com o anti-cinema e com o sucesso comercial. Não acredita? Veja com os próprios olhos, “[REC] 2 – Possuídos” ainda está em cartaz nos cinemas.

Nota: 2,0

por Filipe Ferraz

[REC] (2007)

"[REC]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza

Deve ser encarado, basicamente, somente como uma experiência aterrorizante, isso por atingir um grau inferior ao que era prometido.

É inegável dizer o quão importante é que um filme espanhol faça o barulho proporcionado pelo terror espanhol “[REC]”. Verdade que para que se olhasse em direção desta produção, foi preciso uma vasta e eficiente campanha viral, liberando um vídeo que demonstrava a reação da platéia ao assistir o filme (exatamente a mesma publicidade utilizada no recente “Atividade Paranormal”) com um slogan bem sugestivo, convidando-nos a desfrutar uma degustação aterrorizante (“Experimenta el miedo” dizia o anuncio).
Somando-se a toda esta publicidade, o bom e velho boca á boca teve um papel de grande destaque para o sucesso financeiro e de crítica, principalmente nacional. O boca á boca no qual me refiro, é quando certa pessoa assiste e gosta do filme, começando a falar sobre ele e gerando uma curiosidade sobre as qualidades da película, intencionalmente ou não, convidando uma terceira pessoa para esta sessão aterrorizante.

Então surgindo com uma boa promessa em suas mãos o terror espanhol “[REC]” não consegue ultrapassar a linha entre ser uma mera experiência, e se tornar um verdadeiro e eficiente filme de terror.

A trama básica se resume a repórter Ângela – interpretada brilhantemente por Manuela Velasco, que já desponta como uma futura revelação – e de seu câmera Pablo (em momento algum vemos seu rosto) que estão gravando uma reportagem para seu programa “Enquanto você dorme” de uma TV local. O assunto é sobre o Corpo de Bombeiros de Barcelona, onde a garota e seu parceiro estão dispostos e torcendo para que esta, não seja mais uma noite qualquer. E seus pensamentos são realizados quando o Corpo recebe uma chamada de emergência. No local, encontram moradores apavorados com uma velha senhora que mora sozinha no andar de cima e está gritando estranhamente. Porém o que parecia um trabalho rotineiro acaba tornando-se uma jornada de medo e terror, tendo como único propósito seguir vivo, e obviamente continuar gravando.

Dando uma rápida lida na sinopse já nos aprontamos com uma trama bastante próxima e já muito utilizada em filmes do gênero, então não temos nada de original. Então o que realmente diferenciaria esta produção das outras?? Obviamente seu estilo de filmagem em primeira pessoa.
Pincelado primeiramente no macabro “Holocausto Canibal” e industrializado com o sucesso “A Bruxa de Blair”, este é um fundamento que vem trazendo muito êxito quando utilizado corretamente, vide os sucessos “Atividade Paranormal” e “Cloverfield – O Monstro”. Com certeza quando dermos exemplos de filmes onde você é mais um personagem, no caso o cinegrafista, jamais poderemos deixar de comentar sobre o filme aqui em questão, “[REC]”, que posteriormente foi regravado por estúdios norte-americanos, o tal “Quarentena”.
Então a única coisa que o longa espanhol poderia nos oferecer seria a experiência em ficar trancado em um local com vários zumbis, um verdadeiro jogo de vídeo-game. Sendo assim, quem foi esperando somente esta experiência deve ter saído além de perturbado, muito satisfeito com o que lhe foi apresentado. Entretanto “[REC]” perdeu uma oportunidade incrível de ser muito mais do que uma mera viagem assustadora. Os diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza poderiam ter elaborado, além de uma trama mais complexa, um desenvolvimento melhor de seus personagens e principalmente da tensão entre estes, trancafiados em um prédio. Tudo bem, caso Balagueró e Plaza não quisessem ser cobrados por isto, não deveriam começar a revelar o porquê dos acontecimentos presentes em tela. Se eles realmente escolhessem realizar um trabalho assustador e sem nenhuma explicação (afinal quem está atordoado tentando sobreviver, dificilmente buscaria respostas e sim fugir rapidamente). E também soa muito falso que o exército tranque o prédio por saber de uma contaminação, que mais tarde será explicada – mais uma vez, erroneamente. Tudo isso pode ser mais bem sintetizado pela cena em que vemos colagens em uma parede, dando uma resposta ligeiramente mastigada ao público.

Obviamente o longa possui certas tomadas assustadoras, isso graças a excelente direção e iluminação. Escurecendo e sabendo utilizar muito bem os flashes foi fundamental para criar um clima tenso em um grau elevadíssimo, principalmente em seu ato final.

Influenciado financeiramente, estréia neste fim de semana em território nacional a sequência “[REC] 2 – Possuídos” onde claramente as respostas, que como relatei foram ligeiramente mastigadas, serão digeridas e entregues ao público. O novo filme parece predestinado a dar errado e manchar o que já foi construído por seu antecessor. Podemos também ser surpreendidos e encontrar um filme que realmente não tenha vergonha do que ele realmente é…

Infelizmente, “[REC]” não atingiu o nível de um verdadeiro e eficiente filme de terror, cumprindo apenas a função de uma viagem por um túnel do terror.
Uma simples experiência de medo.

Nota: 6,0

por Filipe Ferraz